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O culto do líder

O congresso do PS foi uma manifestação de apoio ao apoio dado por Sócrates às manifestações de apoio do PS que o têm apoiado. Não houve discussão: houve uma unanimidade pelintra.

O congresso do PS foi uma manifestação de apoio ao apoio dado por Sócrates às manifestações de apoio do PS que o têm apoiado. Não houve discussão: houve uma unanimidade pelintra. E criou-se a bomba-relógio que destrói todos os partidos: o culto do líder. Nascido da vitimização, este culto estrangula de vez o debate interno no PS. Quem faz críticas é inimigo público. É neste mundo de conflito primário entre o Bem e o Mal que nascem os Darth Vader do poder. O PS, neste congresso, fechou-se dentro do seu castelo de Kafka. Não se falou dos problemas da sociedade portuguesa, nem dos dilemas que se colocam no futuro. O desemprego mereceu uma linha, a questão fiscal meio parágrafo, a regionalização um rodapé, o casamento homossexual uma anedota. Este foi um congresso de imagens, onde José Sócrates é o actor perfeito. Pareceu, de resto, Leonardo DiCaprio a dançar enquanto o "Titanic" se afundava. Dois pormenores interessantes: Primeiro, num momento em que clama contra a ganância e apela à intervenção do Estado, o PS dispara sobretudo contra a sua esquerda. O que só prova que a sua pretensa ideologia é o voto: são o BE e o PCP que podem retirar a maioria absoluta ao PS, já que o PSD está anémico. Segundo, a escolha de Vital Moreira é a forma de tentar fazer a ponte a uma esquerda sem bússola. Portugal vive a maior crise política, económica e moral desde há muitos anos. Mas o PS ainda não foi informado disso. Ou, pelo menos, o seu amado líder ainda não se dignou informar o PS do facto.
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