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Eduardo Moura emoura@mediafin.pt 20 de Junho de 2006 às 13:59

O desafio do gestor

Pires de Lima vai encabeçar a Unicer substituindo Ferreira de Oliveira. É uma escolha que revela não só um corte com o passado como esclarece o novo rumo que os accionistas querem para a cervejeira. Uma Unicer claramente apostada na inovação e no marketin

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O regresso de Pires de Lima à liderança de uma grande empresa, depois da parelha Sumolis/CGD ter adquirido a Compal, não pode ser vista apenas como um bom nome para uma empresa à procura do seu líder.
Desde que os escoceses adquiriram a Central de Cervejas e logo que Alberto da Ponte passou a dirigi-la, o mercado assistiu a um forte aumento do marketing da mais tradicionalista e conservadora das empresas do sector. Com a nova gestão, a marca Sagres perdeu finalmente o seu pesado passado, a empresa abriu portas a novas linhas de bebidas, a sua denominação foi alterada para acomodar a nova estratégia e a inovação passou a ser um quesito obrigatório que deu origem, em especial, ao aparatoso sucesso da Sagres Bohemia.

Mas não só. Até a sagrada água do Luso foi explorada para introduzir variantes e paladares inimagináveis e, paralelamente, o conceito de cerveja de ocasião, com um período de vida previamente definido, tornou-se uma regra de mercado.

Com Alberto da Ponte, a Central de Cervejas conseguiu modificar a percepção externa da empresa e os papéis no mercado cervejeiro foram invertidos. A imagem de imobilismo foi apagada e de empresa em queda continuada passou a empresa conquistadora. Em consequência, a linha de trabalho que permitiu a ascensão sustentada e domínio da Unicer foi posta em causa. A liderança do mercado passou a ser disputada palmo a palmo e a surpreendida Unicer revelou muitas dificuldades para travar o novo ímpeto da concorrência. Falsamente ou não, a Unicer passou a ter a imagem da empresa que segue o líder, copiando as suas iniciativas e tentando abafar o impacto dos novos produtos.

Portanto, a saída de Ferreira de Oliveira da Unicer acontece num momento de perda de andamento da empresa e, sem dúvida, abriu a oportunidade para que os accionistas ponderassem seriamente a necessidade não só de substituir o líder como, sobretudo, a necessidade de modificar as prioridades de gestão.

Por isso, a escolha de Pires de Lima para dirigir a Unicer não é uma escolha possível entre muitas outras hipóteses. É uma escolha que se enquadra neste ambiente de fortíssima concorrência em que a inovação é a chave do sucesso das empresas e o marketing comanda todo o processo de produção e comercialização. E é uma escolha que convoca os métodos de gestão que Pires de Lima cultivou na Compal e que transformaram uma empresa conservadora num caso sério de sucesso empresarial e de notoriedade de marca.

Com Pires de Lima e Alberto da Ponte, a concorrência no grande mercado das bebidas vai conhecer um novo patamar de exigência e a mediatização das empresas que dirigem vai acentuar-se ainda mais.

Até porque ambos são gestores de novo tipo que procuram protagonismo pessoal como forma de promover as suas empresas. Deste ponto de vista, Pires de Lima representa até um corte profundo com o tipo de exposição pública que Ferreira de Oliveira definia para a Unicer.

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