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Luís Todo Bom 05 de Agosto de 2012 às 23:30

O difícil caminho da Europa

Este programa de reestruturação da Europa é muito ambicioso, intelectualmente sofisticado, tecnicamente muito detalhado e difícil de implementar num prazo curto. E os Europeus não estão habituados a ser pacientes!

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A Europa encontra-se numa encruzilhada muito difícil da sua história.

Com crescimentos baixos ou negativos, diferenciados para as economias dos países do Norte e do Sul, aumento exponencial do desemprego e de faixas de população no limiar da pobreza, ameaças sérias ao seu modelo social de desenvolvimento e redução das suas vantagens competitivas em relação aos novos países industrializados, a Europa chegou a uma situação, para a qual não estava preparada, mas que exige uma resposta rápida.

Este conjunto de factos foram exponenciados pelo comportamento especulativo dos mercados financeiros, que têm vindo a penalizar as economias do Sul e a beneficiar as economias do Norte, com destaque para a Alemanha que, numa situação original, tem-se vindo a financiar nos mercados a taxas negativas!
Os problemas e as soluções para a Europa estão bem identificados. As grandes questões prendem-se com o caminho a percorrer, o tempo e velocidade, os instrumentos a adoptar e a sua utilização diferenciada por cada país.

Existe, já, no entanto, um enorme consenso, em torno de vários aspectos:

A Europa tem de convergir rapidamente no âmbito da Política Orçamental, da Harmonização Fiscal, da Coordenação dos Sistemas Bancários e da Política de Crescimento, através de estratégias de diferenciação suportadas na inovação e na tecnologia, promovendo condições de competitividade com alto valor acrescentado que permita financiar o sistema social europeu.

É necessário e urgente um novo modelo de governo da Europa, para implementar, controlar e potenciar todas estas políticas comuns e, por esta via, reforçar e consolidar o Euro, como moeda de referência, das economias mundiais.

Devem ser estudados e desenvolvidos instrumentos financeiros adequados a este processo de harmonização e crescimento, que incluirão obrigações europeias, produtos financeiros específicos para o crescimento e fundos de desenvolvimento que suportem as políticas de inovação e desenvolvimento tecnológico, com uma intervenção e coordenação mais activa do Banco Central Europeu e do Banco Europeu de Investimento.

Este programa de reestruturação da Europa é muito ambicioso, intelectualmente sofisticado, tecnicamente muito detalhado e difícil de implementar num prazo curto. E os Europeus não estão habituados a ser pacientes!

Mas têm-se dado passos significativos e todos estes dossiês tiveram evoluções enormes nos últimos dois anos, graças, em minha opinião, à persistência e resiliência da Sra. Merkel.

O conhecimento que se detém hoje sobre as realidades orçamentais, bancárias, fiscais e económicas dos diferentes países da Zona Euro não tem semelhança com a opacidade que existia há dois anos!
Se, até ao final do ano, os líderes europeus avançarem mais nestes dossiês e aprovarem um programa de estruturação global, a ser implementado em 2013, poderemos manter a esperança de que a Europa ultrapasse mais uma crise da sua história e saia reforçada da mesma.

Luís Todo Bom é professor Associado Convidado do ISCTE
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