Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião

O efeito Soares dos Santos

Na passada terça-feira, depois do fecho dos mercados, a Jerónimo Martins anunciou que Alexandre Soares dos Santos deixará a presidência do Conselho de Administração no dia 1 de Novembro.

  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

Na passada terça-feira, depois do fecho dos mercados, a Jerónimo Martins anunciou que Alexandre Soares dos Santos deixará a presidência do Conselho de Administração no dia 1 de Novembro. É verdade que o grande líder da história da Jerónimo Martins já não exercia funções executivas, mas muitos temiam o dia em que fosse anunciado o seu abandono da empresa e a forma como poderia ser recebido pelos mercados.


O que aconteceu aos títulos da Jerónimo Martins na passada quarta-feira? A acção teve um excelente dia na bolsa portuguesa, valorizando-se 3,5%! Quem, na véspera, previra um dia negro para a Jerónimo Martins em bolsa, enganou-se rotundamente. E, provavelmente, aprendeu uma lição de como funcionam os mercados financeiros no seu mecanismo de incorporação de expectativas do preço.


Alguns analistas, depois da forte subida após a notícia, disseram que esta era uma decisão já esperada. É verdade. Mas eu posso acrescentar a hipótese de que algumas pessoas soubessem o "timing" da decisão e que não é à toa que a Jerónimo Martins tenha caído cerca de 20% nos últimos meses…


Seja como for, o mercado tinha claramente incorporada a expectativa de que isto iria acontecer e temia as consequências da mesma, muitos investidores esperando pela saída dessa notícia para aproveitar a possível correcção para entrar na acção. Como a esmagadora maioria dos vendedores (por causa dessa notícia antecipada) já tinha vendido, não existiu pressão vendedora e os que queriam aproveitar os "saldos" para comprar, não tiveram essa correcção e a sua pressão compradora fez a acção subir bastante.


O mercado funciona assim e arrisco-me a dizer que este mecanismo de "desconto das expectativas no preço" é o conceito mais importante de ser interiorizado pelos investidores. Vou dar outro exemplo sintomático - em Outubro de 2011, morreu Steve Jobs. Uma vez que a doença de que padecia era conhecida por todos e o mundo sabia que a sua morte chegaria, mais ano menos ano, a cotação da Apple não conseguia disparar, mesmo que os resultados fossem fabulosos, a empresa explodisse em termos de resultados, os produtos inovadores se multiplicassem e a própria bolsa americana vivesse um excelente período.


Steve Jobs morreu e, quando muitos esperavam que isso significasse o afundar da cotação, a acção valorizou-se cerca de 13% nas 2 semanas que se seguiram e cerca de 70% nos 6 meses posteriores ao falecimento do grande líder da empresa. Por mais paradoxal que possa parecer, foi a morte de Steve Jobs que abriu portas à Apple para voar em bolsa.


Por exemplos como este, sou tão crítico a quem negocia na direcção das notícias. Na maior parte das vezes, chega na pior altura. Ou, dito de outra forma, chega numa altura em que é o último a saber. Não se esqueça que, quando a notícia chegar ao jornal ou ao seu site preferido, já alguém a conhecia antes de si. E quando decidir em função dessa notícia, já será tarde demais.


Não, o mercado não aplaudiu a saída de um Homem da dimensão de Soares dos Santos. Mas sofreu por antecipação, durante alguns meses, com essa notícia que, no dia em que surgiu, a acção libertou amarras. E voou.

 

 

Comente aqui o artio de Ulisses Pereira

 

 

Nem Ulisses Pereira, nem os seus clientes, nem a DIF Brokers detêm posição sobre os activos analisados. Deve ser consultado o disclaimer integral aqui


Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com

Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias