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Opinião
Joaquim Aguiar 16 de Junho de 2014 às 18:26

O erro distributivo

Quem contrai dívida, e com ela fez aplicações que não lhe oferecem o rendimento com que possa pagar essa dívida, não está só a viver acima das suas possibilidades.

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A FRASE...

 

"As causas do retrocesso não se encontram na narrativa esgotada que nos acusa de termos vivido acima das nossas possibilidades, mas antes num quadro europeu que dá carta-branca e salvaguarda acriticamente o sector financeiro, que penaliza os países da periferia através de erros sucessivos na gestão da moeda única".

 

Pedro Delgado Alves, "Não nos enganemos", Público, 15 de Junho de 2014.

 

A ANÁLISE...

 

Está a condenar-se à escravatura do eterno retorno do mesmo – porque nunca poderá gerar o excedente que lhe permita pagar o que deve e viver como quer.

O quadro europeu não favorece o sector financeiro, serve-se dele para acumular imparidades, privadas e públicas, que encubram a perda de crescimento potencial que se encontra nas sociedades maduras desenvolvidas.

 

Os erros de gestão da moeda única são iguais para todos os que nela participam, mas favorecem as sociedades competitivas e penalizam as sociedades distributivas – e a diferença está na qualidade dos investimentos feitos e nos rendimentos que geram. A moeda é igual para todos, diferente é o que cada um faz com ela.

 

O modo mais rápido de interpretar esta diferença, que é crucial para compreender o passado e o presente, está na observação do que propõem agora os que contribuíram para a formação da crise: como propõem o mesmo, apesar da degradação das condições de base, o resultado só poderá ser pior do que já foi. Não lhes ocorre que a configuração das sociedades muda, que os parâmetros em que foram estruturadas as políticas públicas se alteram, que as fases de expansão conduzem, por erros e imprudências, às fases de estagnação. 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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