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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 25 de Agosto de 2010 às 11:58

O espião perfeito

É sempre uma atitude inteligente anunciar que se vão ter espiões num país

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É sempre uma atitude inteligente anunciar que se vão ter espiões num país: eles passam a ser alvos visíveis e assim deixam de ser importantes. Foi isso que fez o ministro Augusto Santos Silva. Cumpriu o seu objectivo: aniquilou por completo a missão antes dela se iniciar. A base da espionagem é o segredo. Elevado a ministro da Defesa, Augusto Santos Silva decidiu inovar a doutrina: o melhor espião é o que todos conhecem. Quando diz que vai enviar espiões para o Afeganistão e para o Líbano, o ministro mostra que estudou pormenorizadamente a estratégia do MI6 britânico, que gostava de ser o secreto "C" e que pensa que o espião perfeito é James Bond. Para Augusto Santos Silva a espionagem é uma actividade trepidante e diletante, entre martinis e mulheres fatais. Poderia ter-se dado ao trabalho de ler John Le Carré: "Ora, é paradigmático da técnica de informações em todo o mundo que cada elo da cadeia ignore tanto quanto possível quais são os outros". As declarações do ministro não causam apenas efeitos colaterais em toda a estratégia de informações nacional. Dão-nos uma visão mais clara da personagem. Quando se tornou o ideólogo do PS, Augusto Santos Silva atingiu o seu princípio de Peter. Ser ministro da Defesa é, claro, um cargo que requer outro grau de exigência e está acima desse limiar de competência. Mas isso não demoveu quem o colocou a comandar os militares. Ao ser nomeado ministro da Defesa, Santos Silva, fulminou o bom-senso. Esta entrevista ao "i" mostra que é o espião perfeito. Poderíamos enviá-lo, estilo 007, para o Líbano.



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