Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Roland Berger Consultants 10 de Agosto de 2014 às 19:00

O Estado da Banca na Europa: a agenda dos "CEO"

Os resultados do estudo da Roland Berger sobre o "Estado da Banca na Europa em 2014", que envolveu 100 bancos representando cerca de 90% do sector bancário da UE-27, evidenciou alguns dos principais temas na "agenda" dos CEO.

  • Partilhar artigo
  • 1
  • ...

 

Entre as prioridades do sector destaca-se uma com particular importância para a realidade em Portugal: a percepção da solidez e credibilidade dos bancos.

 

Os bancos europeus praticamente dobraram o rácio de capital (Tier 1) entre 2007 e 2013, sendo agora da ordem dos 16%. Este efeito resultou de um amplo esforço de reforço do balanço, em linha com os requisitos de Basileia III e a acção do regulador (como por exemplo a pressão imposta pelo "Comprehensive Assessment" do BCE). Efectivamente, realizaram-se importantes aumentos de capital no sector: o "pico" de cerca de 229 mil milhões de euros ocorre em 2008 mas em 2013 são ainda realizados cerca de 38 mil milhões de euros de aumentos de capital (dos quais 11 no RBS e 8,6 no Barclays) e no primeiro semestre de 2014 cerca de 25 mil milhões (dos quais 8 no Deutsche Bank e 5 no Monte dei Paschi).

  

Na visão dos CEO, o estágio de reforço de capital dos bancos apenas estará completo quando a percepção dos investidores coincidir com a efectiva solidez dos bancos - não basta capitalizar os bancos, é também necessário concretizar essa percepção no mercado e na sociedade. A actuação nesta área inclui desde o reforço do "governance" até à formação (discutindo-se mesmo temas como a certificação dos quadros da banca).

 

Em Portugal esta vertente é extremamente importante face ao efeito de contágio de casos específicos para a percepção global do sector. Os acontecimentos recentes acentuam a necessidade de credibilização da imagem dos bancos e comunicação da crescente solidez da maioria dos bancos que actuam em Portugal.

 

No estudo ficou igualmente claro um novo estágio que se tem vindo a desenvolver nos bancos, centrado na melhoria do desempenho e concretização das optimizações dos custos: alguns bancos estão mais avançados nesta vertente mas o desempenho geral ainda não é convincente.

 

Os custos começam a mostrar sinal de contenção mas ainda ténue. Em 2013 os custos diminuíram pela primeira vez em termos absolutos (por exemplo, em 2012 os custos aumentaram cerca de 20 mil milhões de euros a par com um decréscimo do produto bancário (PB) de mais de 10 mil milhões). Apesar da melhoria do rácio de custos sobre PB para 55% em 2013, valores superiores a 50% são elevados. A actuação nesta área é uma prioridade. Os bancos necessitam de reforçar a capacidade de materializar as reduções de custos, sendo que as medidas tradicionais não são suficientes: é necessário rever o modelo.

 

O novo paradigma assenta na simplificação do modelo operacional, englobando vários desafios como por exemplo a reinvenção das agências: "de um modelo de proximidade para um de acessibilidade" ou o redesenho de processos "digitally native" totalmente automatizados.

 

Além dos custos, o vector crescimento surge como central na agenda dos CEO. Efectivamente o produto bancário (PB) continua a diminuir (embora a um ritmo menos acentuado, tendo decrescido apenas 0,5% em 2013 face a -2% em 2012).

 

Nesta vertente emergiram temas como a capacidade de liderar a inovação ou a inclusão no "radar" de mercados emergentes.

 

Centrando na inovação dos modelos de crescimento destacaram-se temas como o desenvolvimento de novos modelos de aquisição de clientes num contexto de menos agências, o enriquecimento da proposta de valor num mundo digital (em que o desafio não é a digitalização tradicional mas a preparação para a "disrupção digital" aportada pelo ambiente GAFA (Google, Amazon, Facebook, Apple) ou o "digital venturing") assim como novas abordagens ao mercado: "right channel, right client, right product" assentes na smart data/big data e "ominicanalidade".

 

Em conclusão, após um estágio focado na reforço do balanço e solidez dos bancos é necessário fazer mais em termos de custos e encontrar novos modelos de crescimento. Apenas desta forma conseguirão os bancos recuperar quota de mercado (entre 2008 e 2013 o peso dos bancos europeus no financiamento da economia decresceu de 71% para 62%) e regressar a níveis de retorno adequados: um ROE (Return on Equity) como os 4% apresentado pelos bancos europeus em 2013 não é sustentável.

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias