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Pedro Santana Lopes - Advogado 23 de Julho de 2014 às 21:00

O exemplo de um Mestre

No que concerne ao sistema político, não basta gritar e exigir por seriedade dos decisores e/ou dos eleitos. Todos o devem ser, nomeadamente, os que influenciam, e muito, as escolhas dos eleitores.

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1. Foi agora publicado o segundo volume de "Marketing Research", uma obra de José Vidal Oliveira. Este segundo tomo trata de "Análises Multivariadas e Técnicas Especializadas" enquanto o primeiro, editado há dois anos, trata da "Investigação em Marketing" (Edições Sílabo).

 

Como diz Jorge de Sá, no Prefácio à 1ª edição: "Com a democracia vieram as sondagens eleitorais e aí Vidal Oliveira constitui (e continua a constituir) uma referência incontornável neste setor, tanto ao nível do fazer, como no de ensinar a fazer". E, mais adiante: "Vidal Oliveira é um Mestre, capaz de aliar a Força das suas convicções à Beleza da sua arte e à Sabedoria que soube adquirir ao longo de uma exigente carreira". E antes: "Ao longo da sua vasta atividade, nacional e internacional, Vidal Oliveira sempre se submeteu, com sucesso inequívoco, à mais rigorosa das avaliações, à avaliação que é produzida pelo mercado, geradora do respeito e do reconhecimento dos pares, dos colegas e dos concorrentes". E desta obra diz, entre muitos elogios: "Uma obra que vem do passado, ocupa o presente e se projeta no futuro".

 

2. Faço todas estas citações porque sei que a esmagadora maioria das pessoas não segue esta área do saber pelo que não conhecerá o trabalho de Vidal Oliveira. Alguns dos que já liderámos o PPD/PSD, como Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso e eu próprio, que sempre nos interessámos, e já leccionámos - cada um em seu nível académico - Ciência Política (Marcelo continua a fazê-lo), conhecemos bem o seu trabalho. No que me respeita, todas as sondagens que lhe encomendei "bateram" sempre certas. Quer quando ganhei, quer quando aconteceu o contrário, os seus estudos não foram desmentidos pela realidade. E é muito importante referir este Mestre numa fase do sistema político português em que se volta a falar muito de sondagens e depois de mais umas eleições - as Autárquicas de 2013 - em que os votos desmentiram, na generalidade, as previsões que foram feitas. E recordo que algumas dessas previsões foram divulgadas com as mesas de voto encerradas. Volta a falar-se muito porque vem aí novo ciclo eleitoral e já há quem escreva, sobre decisões políticas fundamentais, "as sondagens que decidam". Apetece-me dizer: "Deus que nos livre"!!... É que, nas últimas autárquicas, por exemplo, a fazer fé na maior parte das sondagens que se conheceram, Luís Filipe Menezes seria hoje presidente da Câmara do Porto depois de uma vitória por larga margem. Não estou com esta referência a emitir qualquer juízo sobre se teria sido bom ou mau. Falo, tão só, do que as sondagens diziam. Então, agora, alguém ia tomar decisões relevantes com base em tão erróneos e falíveis pressupostos?

 

3. A obra de Vidal Oliveira é um autêntico manual sobre estas matérias. Qualquer dos tomos tem quase mil páginas e o seu conteúdo é extraordinário para que se possa estudar e aprender a trabalhar como é devido. No primeiro volume ensina como selecionar amostras, explica os procedimentos de amostragem, fala da estimação estatística, explica as técnicas de recolha e também o modo de elaboração do questionário; trata, igualmente, da recolha de dados, das validações e ponderações das amostras, do processamento e análise de dados. No segundo tomo disserta sobre os muitos tipos de análises multivariadas e as inúmeras técnicas especializadas que existem ou podem ser utilizadas; trata ainda os estudos "Business to Business" concluindo com uma análise muito detalhada sobre estudos de opinião pública e sondagens eleitorais. Vale a pena ler, no segundo tomo, o novo prefácio de Jorge Sá e outro de António Salvador. Como diz Jorge Sá nesse texto, "pena não ter sido editado numa grande universidade anglo-saxónica, porque, sem dúvida, se o fosse, seria uma obra de referência mundial". Tem razão e penso que deveria haver um esforço, de quem pode, para isso ser concretizado.

 

4. Para além dos deveres gerais da Ética e da Moral, a publicação desta obra do Professor e Mestre Vidal Oliveira devia tornar imperativa sobre quem lida com estes trabalhos a obrigação do rigor e a rejeição absoluta de qualquer ponderação mais simpática para quem encomenda o estudo ou para quem seja objeto das preferências de cada um. No que concerne ao sistema político, não basta gritar e exigir por seriedade  dos decisores e/ou dos eleitos. Todos o devem ser, nomeadamente, os que influenciam, e muito, as escolhas dos eleitores.

 

Advogado

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

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