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O êxodo bancário 

Os trabalhadores do BPI ficaram a saber que a OPA lançada pelos catalães do La Caixa implica a previsão de rescisão de contrato com mil funcionários. São mais mil num grande êxodo laboral.

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A que se juntam outros mil bancários do Novo Banco, mais algumas centenas do Banif e provavelmente milhares de outras instituições financeiras.

 

Poucos setores têm sido tão fustigados pela pressão de redução de quadros de pessoal como a banca. Desde 2010, cerca de 10 mil pessoas abandonaram o seu emprego. A maioria terá tido um paraquedas da pré-reforma que reduz o impacto social e psicológico deste fenómeno, mas não deixa de ser um quadro perturbador.

 

E estamos a falar numa área que tradicionalmente era associada a prestígio e segurança no trabalho. Mas os tempos mudam e o processo de fusões, associado ao desenvolvimento de aplicações tecnológicas, criou um quadro de pessoal excedentário.

 

Um país que já não tem banqueiros e se arrisca a ficar com cada vez menos bancários também tem um problema para o futuro. Onde vão trabalhar amanhã os nossos jovens? Haverá ainda menos bancos, muito menos balcões. E os bancos serão diferentes.

 

De um paradigma de importantes bancos nacionais, independentemente de a origem do capital ser estrangeiro, vamos passar para o paradigma de sucursais de bancos estrangeiros. Mesmo que nominalmente haja administrações em Lisboa, elas serão sucursais, uma espécie de direção-geral para o sudoeste da Península Ibérica. Não é só a banca que está a encolher. É este país.

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

 

Este artigo está em conformidade com o novo acordo ortográfico

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