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Eduardo Moura emoura@mediafin.pt 02 de Março de 2005 às 13:59

O extraordinário caso da Lusomundo

Na galeria dos grandes patrões de media, Joaquim Oliveira ombreia agora com Pinto Balsemão, Paulo Fernandes e Miguel Paes do Amaral. Numa metáfora adequada, Oliveira ascendeu da segunda à primeira Liga e, como sempre nestes casos, a sua ascensão surpreend

E interroga, além do mais, porque foi visível que a PT quis despachar o assunto numa situação de vazio governativo e acaba por vender a quem já era seu associado na Sport TV.

De facto, como é possível que o mais pequeno entre os candidatos tenha feito a melhor oferta? Melhor que qualquer dos pesos pesados espanhóis, melhor que qualquer dos pesos pesados portugueses?

Perguntando ao contrário. Porque será que na segunda ronda, os pesos pesados não reforçaram suficientemente a sua avaliação da Lusomundo de forma a ultrapassar a proposta de Joaquim Oliveira? É que se nuns casos terá sido por inoportunidade financeira, noutros só pode ter sido por um, talvez evidente, excesso de risco.

Mas, além do risco, com que dinheiro ou lucros se proporá Joaquim Oliveira pagar a factura? Que engenharia financeira estará pois destinada à Lusomundo, de forma a que, por um lado, seja amortizada a sua dívida corrente de 50 milhões de euros e, por outro, seja pago o capital de 174 milhões de euros comprado à PT e financiado pelo Millennium bcp?

À partida, a solução não é nada óbvia. Porque, em primeiro lugar, será necessário resolver a questão dos 19,1% que a Cofina detém na Lusomundo, provavelmente através da amputação de uma parte do bolo, talvez a TSF. Depois, em segundo lugar, qualquer coisa poderá ser feita para alienar um quarto do capital da Lusa, participação nada estratégica mas também pouco valiosa. Já o terço da Vasp e metade da gráfica Funchalense fazem parte do «core» e não deverão ser alienadas. Sobra portanto a imprensa: talvez o Diário de Notícias, o produto menos rentável, possa ser alienado. O Jornal de Notícias e o 24 Horas, o O Jogo e metade da Sport TV só fazem sentido ficar no grupo.

Assim, já depois do negócio feito, é que o verdadeiro jogo vai começar. À PT como patrão toda a gente conhecia. Com Joaquim Oliveira muita coisa terá que mudar.

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