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Ulisses Pereira ulissespereira@hotmail.com 07 de Abril de 2014 às 09:49

O fim da PT

Há mais de um ano que não analiso a PT. Pode parecer estranho que tenha ficado tanto tempo sem comentar uma das mais importantes acções da bolsa portuguesa mas não gosto de escrever sobre aquilo que não tenho opinião.

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Há mais de um ano que não analiso a PT. Pode parecer estranho que tenha ficado tanto tempo sem comentar uma das mais importantes acções da bolsa portuguesa mas não gosto de escrever sobre aquilo que não tenho opinião.


A distribuição de dividendos extraordinários (não ordinários e de uma dimensão muito grande) tornou, para mim, muito difícil a leitura do seu gráfico, o que me fez afastar da análise da acção há mais de um ano. Depois disso, em Outubro do ano passado, surgiu a notícia da fusão com a Oi que fez correr muita tinta mas que, para mim, adensou a incógnita quanto ao rumo da PT.


Mal surgiu a notícia da fusão (antecedida por uma subida de 25%, não há coincidências…), investidores e analistas manifestaram o seu entusiasmo com as sinergias que a fusão poderia criar e com o potencial que a Oi tem - caso se consiga reestruturar - no gigantesco mercado brasileiro. Mas ignoraram o impacto que as inúmeras tormentas e indefinições poderiam ter nas cotações de ambas as empresas antes da fusão acontecer.


A guerra sobre quem avaliaria o valor dos activos da PT, as dúvidas sobre o aumento de capital necessário para a concretização desta fusão, transformaram a negociação da Oi e da PT numa autêntica navegação num mar turbulento e as cotações das duas empresas afundaram-se ao longo destes seis meses. A PT vale hoje menos cerca de 13% do que valia no dia a seguir ao anúncio da fusão. E esse número é ainda mais significativo quando a maior parte das acções portuguesas obteve excelentes valorizações durante esse período.


Nestes últimos seis meses, muitos foram os pedidos para que fizesse uma análise técnica à PT. Não o faço porque a PT perdeu vida própria. Hoje, o que move a PT é a Oi. E no futuro também. O que acontecerá no seio da actual PT valerá muito pouco na imensidão que é a Oi. A PT vai deixar de existir. Esta é a realidade que pode tornar-se difícil aceitar à luz dos nossos olhos mas à qual nos vamos ter que habituar.


Se a PT, com o "expertise" que se lhe reconhece, conseguir ajudar a Oi a transfigurar-se e a conquistar o mercado brasileiro, a nova empresa tem um potencial enorme. Mas os riscos também são grandes. Não sou um analista fundamental e não vou entrar nesse debate, embora compreenda o entusiasmo de quem acredita que esta fusão pode ajudar a nova empresa a conquistar o mercado brasileiro.


Mas quem comprou com base nestas premissas já está a perder dinheiro. As incertezas em torno desta fusão tornam a evolução das cotações uma autêntica guerra de tubarões, navegando não ao sabor dos fundamentais das empresas, mas sim dos incidentes neste conturbado processo.


Por isso, continuarei sem fazer qualquer análise técnica à PT. Não faz sentido analisar uma acção que vai deixar de o ser e que não é a sua própria vida que a move. Analisar um gráfico morto pode ser uma boa recordação do passado mas não vai ressuscitar uma acção que tem os seus dias contados. Por isso, até que a fusão se concretize, vou manter o meu silêncio sobre a PT. A partir daí, nasce a CorpCo e a PT será apenas uma memória no mundo das acções que desapareceram da Bolsa portuguesa.

 

 

 

Nem Ulisses Pereira, nem os seus clientes, nem a DIF Brokers detêm posição sobre os activos analisados. Deve ser consultado o disclaimer integral aqui


Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com

 

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