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James Charrington 05 de Dezembro de 2011 às 10:26

O futuro da indústria da gestão de activos

A crise financeira de 2008 conduziu os investidores institucionais de volta à mesa de trabalho.

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A crise financeira de 2008 conduziu os investidores institucionais de volta à mesa de trabalho. As pessoas começaram, uma vez mais, a interrogar-se e a fazer as questões mais básicas como "o que é que os meus clientes precisam?" e "como é que vou satisfazer as suas necessidades?"

Isto está, naturalmente, a ter um impacto crescente e significativo na indústria da gestão de activos. Houve uma extensa reavaliação dos fornecedores de Alpha. Quando os mercados estão em alta, há bastantes fornecedores que oferecem - ou pelo menos afirmam oferecer - Alpha. Mas perante condições mais exigentes muitos destes fornecedores desaparecem. Desde a crise financeira de 2008 este fenómeno tem sido mais evidente, tornando mais fácil para os investidores distinguir entre geradores Alpha consistentes e menos consistentes.

Porém, não é apenas o Alpha que está a ser reavaliado - a nossa compreensão de Beta também está a mudar. Os ETF, por exemplo, têm sido tradicionalmente vistos como fundamentalmente homogéneos. O pressuposto era de que a escolha de um fornecedor por parte de um investidor era irrelevante, porque na prática iria sempre receber o mesmo produto. Hoje há, todavia, uma percepção crescente de que a criação de um produto Beta, que corresponde genuinamente a um índice, é mais complexa do que aparenta, e que cada ETF deve ser julgado pelos seus próprios méritos.

Um resultado positivo da crise financeira é que tem estimulado as pessoas a repensar os seus pressupostos sobre Alpha e Beta. Até à data, tem em grande parte, beneficiado os fornecedores Beta: uma proporção muito maior de activos da indústria são atribuídos, agora, a fundos de referência do que antes da crise. Em última análise, a oscilação para Beta pode, paradoxalmente, conduzir a um restabelecimento do Alpha.

De certa forma, isto é o inverso do que aconteceu há 25 anos atrás. Quando a maioria dos activos estava em carteiras "activas", muitos gestores de activos derivaram para estratégias index-hugging, dando origem à indústria de gestão passiva - investir em produtos de índice permitiu aos investidores alcançar resultados semelhantes aos de um índice, embora evitando pagar mais taxas. Enquanto que os Hedge Funds beneficiaram deste padrão porque foram capazes de se autopromover como especialistas em geradores de Alpha, a maioria dos gestores "activos" causaram efectivamente o seu próprio desaparecimento, ao tornarem-se fornecedores de Beta naturalmente mais cautelosos. Hoje pode-se argumentar que temos um círculo completo, onde uma maior confiança em Beta pode resultar no renascimento de Alpha.

Interessa, porém, esclarecer que isto não significa que estamos prestes a ver um retorno pela busca de Alpha como se viu na década de 1980. As barreiras para o sucesso aumentaram significativamente desde essa altura e as empresas que procuram oferecer Alpha terão que investir fortemente e de maneira consistente nos seus sistemas de controlo de risco e em equipas de gestão de excelência.

No entanto, as empresas que têm investido de forma consistente nestas áreas, e que podem demonstrar a sua capacidade para gerar retornos, estarão em forte destaque. Isto acontece tanto para fornecedores de Alpha como de Beta: a indústria de gestão de activos do futuro não será dominada por Alpha ou por Beta, mas sim pelo melhor de ambos. Como os investidores tornaram-se cada vez mais aptos a distinguir diferentes tipos e atributos dos gestores provavelmente irão optar por investir num grupo mais pequeno de fornecedores de alta qualidade ao invés de um grande número de medíocres.

Afins de apelar aos investidores, as sociedades gestoras terão de oferecer mais do que têm oferecido nos últimos tempos. No futuro os clientes não quererão apenas ter acesso aos produtos de uma empresa, quererão igualmente aceder às considerações que estão por trás desses produtos. Os gestores de activos bem-sucedidos terão de oferecer aos investidores verdadeiras parcerias, promovendo tanto um assessoriamente especializado em técnicas de alocação de activos bem como em soluções integradas especificamente adaptadas às necessidades de cada um.

Este passo não irá acontecer da noite para o dia mas é o caminho que a indústria está a seguir.
As Gestoras de Activos com ambição de prosperar neste novo ambiente de mercado terão de se começar a preparar o mais rápido possível.



*Chairman da BlackRock para a Europa,
Médio Oriente e África


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