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O gráfico de Gaspar

No último ano, há um gráfico que está sempre aberto no meu computador: O gráfico da evolução, no mercado secundário, das obrigações do tesouro portuguesas a 10 anos.

No último ano, há um gráfico que está sempre aberto no meu computador: O gráfico da evolução, no mercado secundário, das obrigações do tesouro portuguesas a 10 anos.


Olho para este gráfico quase como para um jogo da selecção nacional, festejando cada sinal positivo que ele nos dá. E a verdade é que, depois de um ano de 2011 assustador, 2012 tem-nos brindado com descidas sistemáticas das taxas de juro implícitas da dívida portuguesa (nos vários prazos).


Quando, há meio ano, escrevi o primeiro artigo em que revelava que o meu pessimismo tinha chegado ao fim e que acreditava em subidas na Bolsa portuguesa, hesitei muito antes de carregar no botão "send". Além de 4 anos vestido de urso, tinha uma realidade económica a indiciar o contrário e o receio que os leitores achassem que tinha ensandecido. Tive de olhar para este gráfico para me dar o empurrão final a clickar no botão. E em boa hora o fiz, pois o PSI não tem parado de subir…


Este é o gráfico de Gaspar. Todos os sacrifícios pedidos aos portugueses têm como objectivo que este gráfico continue a mostrar uma descida das taxas de juro. Para Gaspar, enquanto este gráfico não mostrar que Portugal está em condições de voltar aos mercados, o esforço ainda não chegou ao final.


Teixeira dos Santos dizia que os 7% eram o limite a partir do qual Portugal estava condenado a pedir assistência financeira à "Troika", mas para voltarmos aos mercados, precisamos de vir bem abaixo disso. Eu diria que, se no mercado secundário estivermos entre os 5 e os 6%, podemos pensar nisso. Depois de termos estado perto dos 20%, estamos agora perto de níveis de há 2 anos, algo que parecia impossível há um ano.


Os portugueses podem não aguentar mais medidas de austeridade, mas enquanto não estivermos em condições de ir ao mercado, Passos e Gaspar pouco mandam. Continuaremos a ser uns "yes men" às ordens da "Troika", quais marionetas nas mãos de quem verdadeiramente manda. De quem nos empresta dinheiro.


Por isso, olho para este gráfico com tanta atenção. Por isso festejo por cada descida naquele gráfico. A independência de Portugal joga-se aqui. Mesmo que, quando lá cheguemos, tenhamos destruído parte de nós.

 

 

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Analista Dif Brokers
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