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Miguel Coutinho 21 de Outubro de 2005 às 13:59

O homem que sai da sombra

Durante a última década, Cavaco Silva foi o ausente mais influente da vida política nacional. Escreveu pouco, falou pouco, apareceu pouco - mas, apesar desse apagamento voluntário, ninguém como ele interpretou, de forma tão clara, as inquietações e as fra

Com uma precisão cirúrgica e a cerimónia que o fato de professor lhe confere, Cavaco Silva fez das suas intervenções armas letais. Mas também dos seus silêncios. Recorreu à imagem do monstro para denunciar o descontrolo da despesa pública e António Guterres confrontou-se com o pântano; lembrou a lei de Gresham para sublinhar a degradação da qualidade dos agentes políticos e assistiu à queda de Pedro Santana Lopes. A verdade é que Cavaco Silva nunca se retirou da vida política: tomou posição, influenciou e reconciliou-se com a comunicação social, sem nunca se desviar dos seus valores. E geriu habilmente sucessivos tabus, nunca saindo de cena. Embora não parecesse, Cavaco Silva sempre andou por aí. Sai agora da sombra. E a política portuguesa agradece.
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