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Raul Vaz 28 de Junho de 2006 às 13:59

O jogo pelo jogo

Estás por quem? A pergunta comporta um desafio. Próprio dos oito anos de quem o faz, implícito no olhar vivo e expectante da idade. Estou por quem joga melhor, mas com prontidão sai a palavra-chave: Portugal.

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Eis o triunfo da ambivalência: por um lado há o conceito de berço associado a um estado-nação, apenas isso a que se chama identidade; pelo outro, a força da estética, necessária a qualquer construção. Apesar das intermitências inerentes a um outro jogo, acabamos por falar de futebol. Com um devido registo de interesses: não gostamos de Scolari, mesmo depois da guerra ganha - metáfora para expressar a angústia daqueles intermináveis minutos. E mesmo que a guerra continue e voltemos a vencer, ficaremos no mesmo registo de interesses. Talvez seja uma simples embirração: não gostamos de Scolari. Não pelas razões que alimentam o conhecimento comum: não sabemos, nem queremos saber, se o seleccionador fez bem ou mal em convocar fulano ou sicrano, Quaresma ou Baía. O que sabemos é simples de comprovar: a selecção de Scolari ganha a qualquer custo, sem se preocupar com a essência de um jogo que não se pode resumir a um compromisso com a eficácia. Há muito que Portugal é a antítese, identificado pela gíria popular: todos ao molho e fé em Deus. Estamos por quem? Por aqueles que fazem e esperam do jogo muito mais do que um mero exercício de frieza contabilística. Os que ganhando, sabem como jogar o jogo pelo jogo. Não é, definitivamente, o caso de Scolari.
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