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Raul Vaz 22 de Setembro de 2006 às 13:59

O país de Relvas

Imagine-se um país que no espaço de cinco anos reduz a despesa pública entre 5 e 7,5% do PIB; um país que, concluído esse processo, fixa o imposto sobre as empresas entre 10 e 12,5%; ...

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Imagine-se um país que no espaço de cinco anos reduz a despesa pública entre 5 e 7,5% do PIB; um país que, concluído esse processo, fixa o imposto sobre as empresas entre 10 e 12,5%; um país que numa legislatura reduz para metade a taxa de insucesso escolar, perseguindo o objectivo europeu de 10% no abandono escolar e 85% na conclusão do secundário. É esse o país que Alexandre Relvas propôs na Convenção do Compromisso Portugal. Esse país é hoje o mais pobre da Europa a 15 e já foi ultrapassado pela República Checa, pela Eslovénia e por Chipre na União a 25. Poder-se-ia imaginar esse país se as propostas de Relvas tivessem acolhimento nos directórios partidários. Mas não têm – e é sintomático que o porta-voz de Sócrates se apresse a equiparar "todos os colóquios que vão acontecendo no país"; como é previsível que nem o PSD nem o CDS estejam disponíveis para o desafio. Por uma simples razão: a terapia de Relvas não se coaduna com a lógica de quem privilegia os indicadores eleitorais - apesar da sua relação com os sociais e económicos. Há nesta incompatibilidade uma perversão perigosa: um dia os portugueses poderão cansar-se dessa lógica. É também isso que "o Mourinho de Cavaco" procura evitar. Porque é verdade que nunca, como agora, existiram condições políticas tão favoráveis para se enfrentar "uma realidade brutal". Mas, à semelhança de Mourinho, é provável que as ideias de Relvas colidam com a mediania nacional. E continuemos a consolidar uma sociedade medíocre assente em ilusões.
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