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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 18 de Janeiro de 2011 às 12:01

O pequeno ideólogo

Esta campanha presidencial é um emocionante tédio. Consciente disso, Augusto Santos Silva, que não é candidato, decidiu trazer alguma claridade à política nacional.

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Como pequeno ideólogo do regime, decidiu intervir com voz paternal. Em cima de um palco, proclamou a sua revisão constitucional. Para o sábio Santos Silva um Presidente "não se mete onde não é chamado". Ou seja, deve ser cego, surdo, mudo e bem comportado. E, já agora, deve ser alimentado com um biberão pelo Governo. O que se depreende do profundo pensamento de Santos Silva é que, num regime semi-presidencialista como o nosso, ao Governo cabe governar, ao Presidente compete estar calado e ao Parlamento incumbe ser a galinha de estimação do Executivo. Não importa que a Constituição existente garanta poderes ao PR e à AR. Para o douto Santos Silva, o calado é o melhor. Desde que não seja ele. Manuel Alegre, é claro, agradeceu estas palavras do ministro da Defesa. Se fosse eleito para PR, estaria contente: não teria de se meter em nada e ficaria entretido a dar lustro à sua Purdey. A tese subliminar do prestimoso Santos Silva é que o Presidente não serve para nada neste País. Ou seja, que esta eleição é uma perda de tempo. Para ele, o Presidente deve ser uma figura de estilo, uma sucursal e um bibelot do Governo. O pensamento de Augusto Santos Silva é um casarão mal iluminado de ideias. Mas não surpreende. O que ele pretende é um País unânime a aplaudir as suas palavras, com palmas pausadas e simultâneas. Quer um País sem anti-patriotas. Ou seja, um País sem debate de ideias.
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