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O poder do Bull Market

Sempre que a Bolsa portuguesa regista alguns dias consecutivos de quedas, em vários locais é decretada a morte do "Bull Market". E, invariavelmente, a praça portuguesa levanta-se, qual morto vivo, regressando às subidas e mostrando que tentar contrariar um "Bull Market" é um exercício de puro masoquismo.

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Acho curiosas as justificações que, dia após dia, os jornalistas e investidores encontram para as subidas das várias acções da Bolsa portuguesa. Todas têm lógica, todas fazem sentido e nenhuma pode ser desmentida (porque, em bom rigor, ninguém pode dizer por que subiu ou desceu uma acção). Mas a principal razão para a subida da maior parte das acções na Bolsa portuguesa é, pura e simplesmente, o facto de estarmos num "Bull Market".

 

Quando, há um mês atrás, o PSI quebrou a sua zona de suporte de curto prazo dos 7100 pontos e eu manifestei alguma preocupação em relação ao curto prazo mantendo-me optimista em relação ao longo prazo, alguns leitores escreveram-me dizendo que eu estava a ser teimoso ao não despir o meu fato de touro em função da fraqueza que a Bolsa portuguesa vinha manifestando. Apesar de registar essa fraqueza, os sinais não eram suficientemente fortes para colocar em causa o "Bull Market" que acabou de comemorar o seu segundo aniversário. Tal como tenho vindo a frisar, só uma quebra do importante suporte na zona dos 6300 pontos me fará decretar o final deste "Bull Market" (a acontecer, serei apenas mais um dos profetas da desgraça). Até que isso aconteça, continuo a achar que estar do lado oposto deste "Bull Market" é querer lutar contra algo demasiado forte.

 

Querer contrariar um "Bull Market" é como navegar contra a corrente ou, como brilhantemente escreveu Fernando Braga de Matos, negociar contra a tendência é como "mijar contra o vento". Como podem observar no gráfico de longo prazo que acompanha este artigo, as tendências na Bolsa portuguesa são, normalmente, bastante longas. E se estivermos, constantemente, a tentar antecipar o seu fim, temos meio caminho andado para estarmos demasiadas vezes errados e perdermos bastante dinheiro.

É verdade que a Imprensa especializada precisa de justificar todos os movimentos dos mercados. Os leitores e investidores gostam de saber por que é que aquela acção subiu, mesmo que ninguém possa saber exactamente a razão. Seria quase escandaloso que alguém escrevesse que a acção X hoje subiu porque vivemos um "Bull Market" e que, por essa razão, é mais normal as acções subirem do que caírem. Os seus editores não gostariam de tal frase, os leitores ficariam desiludidos com a justificação, mas seria bem mais realista. Só que a realidade não vende.

 

Gosto de "Bull Markets". Trazem alegria à maior parte dos investidores, fazem crescer a riqueza portuguesa, aumentam as conversas em torno dos mercados, sobem as audiências da Imprensa especializada e sente-se um Verão permanente no ar. Mas, por outro lado, pululam os analistas e "explicadores" que multiplicam teorias para explicar o inexplicável. E se em "Bear Markets" há os investidores que - quais faquires - estão constantemente a tentar apanhar facas a cair, em "Bull Markets" há aqueles que querem antecipar a morte dos touros, esquecendo-se que nos mercados têm mais vidas que as 7 que dizem os gatos ter.

 

Algumas das principais acções da Bolsa portuguesa estão perto de resistências importantes, o que pode colocar algumas dificuldades à continuação da subida das últimas semanas, mas se quebrarem essas resistências, têm caminho aberto para voar e poderemos ter um Verão quente na Bolsa portuguesa.

 

E o chumbo do Tribunal Constitucional não me preocupa? E a queda do PIB no primeiro trimestre não me assusta? E o espectro de não haver uma maioria nas próximas eleitorais não me deixa com receio? E o problema da dívida americana não me faz ficar receoso? Aprendi, ao longo dos mais de 20 anos que levo de mercados, que temos sempre focos de preocupação. Crescem como cogumelos e nem precisamos de procurar muito. Mas, se ficarmos demasiado preocupados com essas coisas, acabamos sempre por deixar passar ao lado os "Bull Markets", algo pelo qual os investidores anseiam durante tantos anos.

 

Enquanto o PSI estiver acima dos 6300 pontos, vou continuar a surfar este "Bull Market" com o meu fato de touro vestido, mesmo que o fato me faça parecer ridículo, mesmo que o calor aperte ou mesmo que o mundo anuncie catástrofes. Na verdade, acredito mais nos gráficos do que no que os outros acham ou o que as notícias me trazem. E é por isso que há dois anos que trago este fato de touro vestido. Sem arrependimentos. Sem medo de ser feliz. 

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