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Pedro Ortigão Correia 18 de Julho de 2013 às 00:01

O politicamente correcto é incorrecto!

Os mercados não são fruto de um qualquer manipulador ou grupo de capitalistas controladores, resultam da opinião formada de todos os intervenientes, obedecendo em regra a expectativas racionais. O politicamente correcto fica bem em debates, mas para que se verifique tem mesmo de o ser.

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Nos dias que correm não há quem não tenha uma opinião mais ou menos formada, mais ou menos reformatada. Uma das consequências desta nova era do imediatismo noticioso é a proliferação de opiniões, misturando-se informação com interpretação. Factos e análises estruturadas são na maior parte das vezes confundidos com interpretações pessoais, umas simplistas, outras incompletas. A larga maioria do politicamente correcto hoje em dia, é em grande parte totalmente incorrecto!


Tendo acabado a época futebolística, o tema do momento à mesa de muitos cafés é se o país deve ou não sair do Euro. O argumento parece tentador: com a desvalorização elimina-se parte da dívida, aumentado simultaneamente a venda de produtos por se tornarem relativamente mais baratos face ao exterior. Incorrecto! Ao criarmos um evento de "default" implícito, levaríamos anos para reconquistar confiança dos credores, tanto no sector público como, mais grave ainda, no privado. Quanto a exportações, outra falácia.... 70% da componente que exportamos é importada, a começar pela própria energia; desvalorizar, tornaria apenas mais barato o imobiliário e o pouco que fosse inteiramente produzido em Portugal (infelizmente, nem o que comemos, pois somos totalmente deficitários em bens agrícolas).

Outro tema recorrente é o da austeridade. Ela por si só, não resolve problemas económicos de base. Perder peso é importante, mas se a dieta for a pão e água, a saúde ressente-se (mais grave ainda se não se tiver em atenção as características de cada paciente). Num recente "paper" de 3 economistas sobre os efeitos da troika nas economias do Sul, conclui-se que um dos erros de base foi assumir que os sectores públicos de todos os países eram iguais e que a mesma terapia se poderia aplicar a todos, dado que o problema residia apenas o seu peso relativo. Os efeitos dessa receita universal são agora bem visíveis, sobretudo na Grécia...

Por último, a grande corrente monetarista. Imprimir dinheiro resolve um problema estrutural? O Japão era até muito recentemente o menino bonito do mercado accionista (assim como de grande parte dos defensores dessas mesmas políticas). Acontece que todos os ganhos nos mercados de capitais foram entretanto devolvidos, tendo os índices recuado para valores "pré-Abenomics". Nos EUA, observamos um efeito idêntico ao olharmos para os spreads entre hipotecas a 30 anos e dívida pública a 10 anos; recuaram para valores pré-QE3!

Os mercados não são fruto de um qualquer manipulador ou grupo de capitalistas controladores, resultam da opinião formada de todos os intervenientes, obedecendo em regra a expectativas racionais. O politicamente correcto fica bem em debates, mas para que se verifique tem mesmo de o ser!

Economista e Managing Partner da ASK - Advisory Services Capital

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