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Luísa Bessa lbessa@mediafin.pt 24 de Junho de 2004 às 13:59

O que podes fazer pelo teu país?

Não sei se existe algum comboio na estação para Durão Barroso. Não sei sequer se o mesmo comboio alguma vez esperou por António Guterres.

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Não sei se existe algum comboio na estação para Durão Barroso. Não sei sequer se o mesmo comboio alguma vez esperou por António Guterres.

Mas sei que, consecutivamente, dois primeiros-ministros portugueses são apontados como candidatos à presidência da Comissão Europeia e que, pelo menos na versão doméstica, o comboio parte e eles recusam embarcar. Guterres virou a cara ao desafio em nome do interesse nacional ou, mais precisamente, do interesse do PS nacional. O discurso repete-se agora a propósito de Durão Barroso, com um subscritor de peso: Marcelo Rebelo de Sousa afiança que seria «suicídio» para o PSD.

Mais importante seria perguntar se seria suicídio para o país.

Os riscos para o PS de um abandono antecipado de Guterres foram à época multiplamente glosados. Os resultados foram o que se viu. Guterres perdeu a hipótese da Comissão e, enfadado, acabou por perder o país e o partido. A história ameaça repetir-se, antes como comédia, agora como farsa.

Apetece recordar a famosa frase de J F Kennedy: «Pergunta-te o que podes fazer pelo teu país». E nessa perspectiva, perguntar o que é mais importante para Portugal, se ter Durão Barroso como primeiro-ministro ou como presidente da Comissão Europeia?

E se, como parece óbvio, a resposta for a segunda opção, investir nela com toda a energia que a dimensão do desafio exige.

O que não é normal é passar a vida a virar as costas às oportunidades, em nome de objectivos internos de carácter conjuntural. Que têm ainda o inconveniente de nos impedir de testar as nossas possibilidades.

Ficamos sem saber se Guterres foi uma verdadeira hipótese para o lugar que acabou ocupado por Romano Prodi. E se António Vitorino cai por falta de apoio internacional ou falta de mobilização e empenho diplomático.

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