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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 05 de Agosto de 2012 às 23:30

O Rubicão aproxima-se

Quando, cansado e cheio de pó, Júlio César chegou às margens do Rubicão percebeu que já não era possível voltar para trás. Disse às suas tropas para avançarem para o território proibido, a Itália, e declarou: "os dados estão lançados". E estavam. Júlio César tornou-se imperador.

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A crise europeia está a empurrar a Itália e a Espanha para o seu próprio Rubicão. A humilhação do pedido de resgate que Mario Draghi pediu aos dois países, em troca do auxílio que será necessário um dia, não será esquecida. E suavizará a pretensa birra alemã: assim o Bundesbank poderá vender mais rapidamente dívida espanhola e italiana do que Draghi a comprará.

Só que para Mariano Rajoy e para Mario Monti essa humilhação será um suicídio político. E abrirá a caixa de Pandora. A Alemanha julga que tem os países do sul mediterrânico na mão, permeáveis à submissão fiscal e ao fim da soberania que é o epílogo da sua longa batalha. Mas erra em vários pontos.

O sul da Europa, encurralado, poderá ser tentado a atravessar o Rubicão. Especialmente em Itália, como de resto Monti já avisou. Humilhados, os italianos poderão em Março colocar no poder um governo anti-europeu ao som de cânticos anti-alemães. Berlusconi conhece o refrão necessário. Não será então difícil que o sentimento se espalhe à Espanha e à própria França, sempre disposta a tirar o pó à guilhotina da revolução.

A obstinação alemã vai provocar, mais dia, menos dia, o fim desta paz podre. Demolida por todos os que, fartos da austeridade que só leva ao desemprego e à ruína económica, encontrarão na Alemanha o inimigo comum capaz de os unir. E então será tarde demais para o euro.


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