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Eduardo Moura emoura@mediafin.pt 21 de Julho de 2004 às 13:59

O segundo milagre de Bagão Félix

Bagão Félix é o ministro que nos importa. Nas suas mãos está a definição da próxima política económica. Que tem de ser diferente da actual. Mas não só.

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Bagão Félix é o ministro que nos importa. Nas suas mãos está a definição da próxima política económica. Que tem de ser diferente da actual. Mas não só.

É evidente que Bagão Félix comprou uma labiríntica dor de cabeça quanto aceitou a pasta das Finanças acrescida da reforma da Administração Pública. É certo que o arranjo orgânico foi herdado do anterior Governo. Mas, só por si, as Finanças são um qui pro quo suficiente para sugar a energia de qualquer superministro. E só por si a reforma da Administração Pública precisaria de um ministro a tempo integral.

As duas tarefas são gigantescas e são prioritárias. Mas são contraditórias. O calendário de uma sobrepõem-se ao calendário da outra e, o mais provável, é que uma das tarefas pouco evolua para que as duas missões não se auto-anulem.

Bem sabemos que Bagão Félix irá negar esta visão pessimista até porque confiou a reforma da Administração Pública a Sofia Galvão. Mas lembremos que apesar do trabalho meritório da reforma laboral estar assente num empenhado secretário de Estado, Bagão Félix teve de gerir os media e o diálogo de fundo com os parceiros sociais. Por este exemplo se perceberá quanto empenho do ministro terá de ser posto na Reforma Administrativa. Que comporta, aliás, a nuance pouco subtil de ter de mexer com os trabalhadores do Estado e não com os trabalhadores das empresas privadas.

Além disso, Bagão Félix tem de se atirar já aos preliminares do Orçamento do Estado para 2005. Diante do primeiro-ministro terá de travar o normal ímpeto ao acréscimo da despesa. Diante dos ministros terá de travar quaisquer fantasias e entusiasmos de neófitos. E diante do país tem de  «inventar» a mais expansiva política económica restritiva. Parece pouco mas não é. Se o fizer terá conseguido fazer o seu segundo milagre.

Porque o primeiro milagre é desembrulhar a história do director-geral dos Impostos. Que muita sabedoria já lhe está a exigir e que inegavelmente tem de ser substituído.

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