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O sítio das suspeitas

Os britânicos costumam dizer que a grande diferença entre Attlee e Blair, dois primeiros-ministros trabalhistas, é que aquele só tinha medo de uma coisa: da mulher. Porque esta era a pior condutora nas estradas do país.

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E nunca se sabia o que poderia acontecer antes de chegarem ao destino. No Portugal que vive como um carro sem travões, sem saber o que fazer ao défice, à educação, à agricultura, à saúde, à pesca ou à indústria, só se pode ter medo de uma coisa: que o país se estampe contra a luz que nos ilumina. A única coisa que é lucrativa, sem esforço, no nosso rectângulo à beira-mar especado é o sol, porque não o gerimos. Cada vez é mais evidente que, para lá dessa dádiva dos céus, o país continua incapaz de descobrir um projecto nacional que seja o «núcleo duro» da nossa presença no mundo. Temos pessoas e projectos privados de valor mas não há uma estratégia global para essas iniciativas. O Governo dedica-se à nobre arte de ser o maquilhador do país: pinta o défice com ar mais rosado, engraxa os sapatos do esbanjador Estado, penteia investimentos sem sentido. Sócrates faz isso bem e ocupa o espaço da oposição. Mas, depois disso, o que sobra? Aparentemente apenas uma coisa: os que querem fazer do país um sítio de suspeitas. À espera de que surja um anjo da guarda que mude o regime constitucional.
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