Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 13 de fevereiro de 2019 às 20:08

Olhar por e para nós

Cada um que vá fazendo o seu trabalho. E, para isso, importa que os povos possam escolher entre diferentes propostas, o melhor caminho para se chegar a bom destino.

Espero que o ano eleitoral seja mesmo marcado pelo debate, para além da proposta de visão geral, pelas opções setoriais de cada força política que concorre.

 

O Mundo e a Europa atravessam uma fase muito complexa e periclitante. Das guerras comerciais à Venezuela, nada ajuda num quadro em que EUA e Rússia se retiram do tratado de não proliferação de armas nucleares. Na Europa, ao impasse no Brexit, juntam-se a tensão entre França e Itália e agora as eleições em Espanha no meio de uma crise coma Catalunha e com outras regiões. Refira-se ainda tudo o que vai acontecendo na Europa Oriental onde a rebeldia quanto às normas fundacionais da UE cada vez é maior. Na prática, soam ventos de instabilidade que não se sabe onde podem conduzir. No meio de tudo isto, a União Europeia está manietada, parada, bloqueada, parecendo talvez aguardar as eleições de maio para o Parlamento Europeu.

 

No meio desta realidade, o que se vê, com crescente intensidade, na União a que pertencemos?

 

Sem dúvida, cada Estado a tratar cada vez mais de si. Em certa medida, é compreensível. Quando os poderes centrais são fracos, aumenta o peso dos "senhores feudais".

 

Nesse panorama mundial e europeu, Portugal deve também ter a noção de que importa olhar, com ainda maior atenção, para os interesses estruturais e permanentes do nosso País. Temos de estar cientes do caminho a seguir se o quadro de convergência política a 27 se alterar. Não o desejo nem o quer a esmagadora maioria dos Portugueses. Mas há que governar e decidir tendo presentes os vários cenários. Aliás, só assim se deve governar sempre, mas, ainda mais, em tempos de profunda incerteza.

 

Portugal deve, pois, olhar por si e para si. Ano de eleições Europeias e Legislativas - para além das Regionais - é a altura adequada para o fazer. Sem se dramatizar, deve ser dito aos Portugueses por que razão são ainda mais importantes as escolhas que forem feitas.

 

Há um exercício que não tem sido feito: e se acabarem, um dia, os Fundos europeus? Fala-se nas consequências do termo do programa do "Quantitative Easin"... Complicado, sem dúvida? E os fundos? E se acabasse a moeda única?

 

É duro imaginar tudo isso e as consequências que teria. Não seria grave só para nós, Portugueses. Mas já aconteceram factos muito graves na Europa, com consequências dramáticas para muitos Estados e muitos povos. Há anos que se vem dizendo que falta um rumo e, também, uma liderança, firme e esclarecida, na União Europeia. Sem dúvida. Cada um que vá fazendo o seu trabalho. E, para isso, importa que os povos possam escolher entre diferentes propostas, o melhor caminho para se chegar a bom destino.

 

Advogado

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