Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Álvaro Nascimento 26 de Março de 2018 às 22:36

Ora pro nobis… 

Com um simples registo contabilístico evidenciam-se sinais de solidez e solvabilidade, revertendo uma situação insustentável, como se esta fosse apenas aparente... Com que seriedade?!

  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

A FRASE...

 

"Associação mutualista recebe 'bónus fiscal' de 808,6 milhões."

 

Pedro Ferreira Esteves, Público, 12 de Março de 2018

 

A ANÁLISE...

 

Esta semana hesitei entre dois temas sobre o poder de controlo da informação: o primeiro, quando nas mãos do Governo, e, o segundo, quando nas mãos dos cidadãos. Balanceei entre a nebulosa que envolve o Montepio Geral e a utilização abusiva de dados pessoais pela Cambridge Analytica, respetivamente.

 

Fiquei-me pela benesse do crédito fiscal por impostos diferidos atribuído à Associação Mutualista Montepio Geral. Se o assunto não levanta problemas de natureza legal, não deixa de abalar as fundações da República, de um Estado de direito que se quer respeitado pelos cidadãos. De uma penada, uma instituição que se apresenta como do "terceiro sector" passa a intitular-se sociedade comercial com rendimentos empresariais, cujos administradores são compensados com prémios em função do desempenho... Mas, que desempenho?! Com um simples registo contabilístico evidenciam-se sinais de solidez e solvabilidade, revertendo uma situação insustentável, como se esta fosse apenas aparente... Com que seriedade?!

 

Alguém, nomeadamente os auditores, fez as contas? Para um crédito fiscal em sede de IRC de tamanha magnitude - mais de 800 milhões de euros - os resultados terão de crescer exponencialmente. Em termos equivalentes, considerando a taxa normal de 21%, são quase 4 mil milhões de euros de "lucros" futuros (ou reversão de imparidades, pois estimo ser esta a origem do crédito...). Deram-se ao trabalho de ver as rentabilidades dos últimos anos e analisar o contexto em que opera o sector financeiro (com quem a associação tem ligação umbilical), não apenas em Portugal, mas em toda a Europa?

 

Mas, magistral é a forma como é anunciada a entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital da Caixa Económica Montepio Geral, junto com outras IPSS. A "boa notícia" de que é só uma participação de 2% - não os 10% de que se falava! - por mais de 30 milhões. Mas, ... não era exatamente a questão da valorização que suscitava dúvidas? De uma assentada, "fixa-se" o valor do banco em mais de 1.500 milhões de euros. Porquê e para quê?

 

Não seria responsável assumir as dificuldades e resolver os problemas com transparência, em vez de todas estas trapalhadas? Ou, resta-nos acreditar na divina providência?

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Mais lidas
Outras Notícias