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António Sampaio de Mattos 24 de Junho de 2020 às 10:15

Os Centros Comerciais e o desafio da confiança

Passaram-se mais de três meses desde que foi decretado o estado de emergência para combater a pandemia.

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Durante semanas, a vida de grande parte dos portugueses, como a de grande parte de outros cidadãos por todo o mundo, ficou em suspenso. Também travámos a fundo a nossa economia. Os Centros Comerciais e alguns dos seus lojistas mantiveram-se a funcionar durante todo este tempo, para assegurar às populações serviços considerados essenciais, porém, mantendo os elevados custos de funcionamento das suas estruturas.

 

Passou menos de um mês desde que, depois desse longo interregno, se permitiu à maioria dos Centros Comerciais operar sem limitações. E entre todos os desafios que este contexto nos impôs, há um que creio ser transversal à cadeia de valor desta indústria, e determinante para que possamos superar as dificuldades com o mesmo sucesso com que ultrapassámos as da última grande crise: confiança. Confiança dos visitantes na segurança dos Centros Comerciais e na retoma da economia; e confiança entre proprietários, operadores e lojistas.

 

O balanço destas primeiras semanas é animador, mesmo com a excepção criada para os Centros da Área Metropolitana de Lisboa, que só puderam reabrir todas as lojas a 15 de Junho. Temos um caminho a fazer para chegar aos níveis pré-pandemia, mas estamos optimistas. As pessoas estão a regressar, estão a voltar a confiar. Sabem que o Centro Comercial é, no contexto actual, um espaço essencialmente para comprar e não para passear. Têm, sem excepção, demonstrado compreensão e responsabilidade, e tido um comportamento exemplar. É imprescindível que esta tendência continue a evoluir, que a confiança continue a crescer.

 

Os cidadãos podem ter confiança e tranquilidade absolutas no uso dos Centros Comerciais e das lojas que aí operam, com a certeza de que são cumpridas todas as regras de segurança sanitária decorrentes da lei, as recomendações da Direcção-Geral da Saúde e as melhores práticas promovidas pela indústria a nível global. Os Centros e os seus lojistas fizeram investimentos relevantes em equipamentos e formação para permitirem à população aceder a um conjunto significativo de bens e serviços num ambiente com acesso limitado e controlado, e onde as boas práticas são monitorizadas e geridas por equipas profissionais de modo a minimizar riscos.

 

No que respeita à relação entre operadores e lojistas, o esforço conjunto permitiu ter já de portas abertas, e em inteiro respeito pelas regras de segurança, 8483 lojas, que correspondem a 99% das 8 600 lojas presentes nos Centros Comerciais dos associados da APCC, e chegar a acordos com 87% destes lojistas para a concessão de apoios no valor de €305 milhões durante 2020, entre descontos e moratórias de rendas, que vão para além da "lei das moratórias" e que permitem diferir o pagamento destas mensalidades para 2021 e 2022. Estes são resultados concretos de uma relação próxima e de diálogo entre as partes. Estamos conscientes de que vivemos num contexto que é tudo menos estável, e que será imprescindível continuar a gerir o impacto desta crise encontrando soluções equilibradas, pois o sucesso de todos passa pela garantia da sustentabilidade de cada um.

 

A confiança é, assim, a base para resgatarmos a parte possível do antigo normal, e para permitirmos que este sector continue a trabalhar em conjunto, potenciando o contributo que pode dar à preservação do emprego e à retoma da economia.

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