Jorge Marrão
Jorge Marrão 16 de maio de 2018 às 21:14

Os entalados

Os instalados do emprego atual criam uma geração de entalados que adormeceu, não se manifesta, não resmunga pela falta de ascensão social e por melhores e mais significativos aumentos salariais.

A FRASE...

 

"O salário mínimo de mil euros seria devastador para as classes mais pobres, pois expulsaria da força de trabalho muitos trabalhadores que produzem menos do que isso".

 

João César das Neves, jornal Dia 15, 15 de Maio de 2016

 

A ANÁLISE...

 

O regime político, e a generalidade dos economistas de profissão, contenta-se, ao que parece, com um salário mínimo baixo comparativamente a outros países europeus. Amedrontam o povo com a ideia de que um salário mínimo mais elevado gera desemprego massivo. Baixam os braços porque reconhecem que não temos produtividade para ter salários mais elevados. Resignamo-nos assim a décimas de aumentos anuais, debatemos horas a fio na concertação social os pequenos aumentos para não aprofundarmos o verdadeiro debate: porque estamos tão atrasados em relação a outros países?

 

Os instalados do emprego atual criam uma geração de entalados que adormeceu, não se manifesta, não resmunga pela falta de ascensão social e por melhores e mais significativos aumentos salariais. Temos um desequilíbrio macroeconómico comparativo com outros países por contrapartida a um equilíbrio e silêncio social lusitano. Os brandos costumes estão assim a ser aproveitados pelo regime político.

 

Quais são então as alternativas? Os mais preparados emigram, ascendem aqueles que decidem ir trabalhar para as empresas com mais elevada produtividade, mas a generalidade da população permanece no assento do autocarro salarial anos a fio com a segurança que faz a viagem para a reforma sem sobressaltos. Se não houver ambição política para criação de mais elevada produtividade na sociedade, quem a pode originar? O contrato social de Abril afinal tem um preço. O do Antigo Regime foi-nos vendido com o de empobrecermos alegremente. O deste regime tem um mais elevado: não faças ondas, faz-te de morto que ninguém te despede. É a precarização do futuro emprego, e a segurança dos velhos empregos. Até quando?

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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