Rui d’Orey
Rui d’Orey 16 de novembro de 2019 às 12:30

Os portos não param! O país agradece.

Os números falam por si e são representativos. Ilustram a forma como o setor marítimo-portuário contribui, não apenas para a economia portuguesa, mas também para a “normalidade” da vida de todos nós.

Na sua rotina diária, a maioria dos portugueses não se dá conta da importância que o transporte marítimo tem para o seu dia-a-dia. E ainda bem: é sinal que os portos estão a funcionar bem e com normalidade. Mas, e se um dia, Portugal parasse como vimos acontecer aquando da greve dos motoristas de matérias perigosas, só que desta vez devido à paragem dos portos?

 

Costuma-se dizer que em situações extremas, a sociedade acorda e fica alerta. Ainda que um cenário de crise no setor marítimo-portuário não esteja - de todo – em perspetiva, certamente que numa ocasião dessas, a população ganharia mais consciência sobre a importância dos portos e do transporte que se faz pelo mar.

 

Lancemos os dados. Quase 90% do comércio mundial realiza-se pela via do transporte marítimo; e em Portugal, o ano passado, cerca de 75% das importações e quase metade das exportações passaram pelos portos nacionais, onde se registaram mais de 10.000 escalas de navios, que transportaram perto de 100 milhões de toneladas de carga. Mais: anualmente, passam também pelos nossos portos, 1,5 milhões de pessoas que visitam Portugal, através de navios de cruzeiro.

 

Os números falam por si e são representativos. Ilustram a forma como o setor marítimo-portuário contribui, não apenas para a economia portuguesa, mas também para a "normalidade" da vida de todos nós.

 

Como seria se faltasse combustível nas bombas de gasolina? Ou comida nas prateleiras dos supermercados? Ou alimentação para os animais? Ou matérias-primas para a construção? Ou eletrodomésticos nas lojas? Ou energia nas fábricas? Todos estes cenários seriam possíveis, caso os portos nacionais ficassem parados.

 

É também por tudo isto que é tão importante a paz social no sector, diminuindo o número de greves, que têm assolado os portos portugueses, especialmente desde 2012. Vemos com clareza que os portos que tiveram mais pré-avisos de greve e paralisações foram aqueles que não cresceram. Veja-se o caso de Lisboa, que com cerca de 120 pré-avisos de greve nos últimos 10 anos, teve uma redução de 31,2% de escalas de navios no mesmo período.

 

As greves matam os portos! As greves matam o trabalho dos trabalhadores portuários!

 

Só uma saudável cumplicidade entre os trabalhadores portuários e os restantes stakeholders do transporte marítimo trará crescimento aos portos e prosperidade para todos.

 

Outro vetor essencial para o desenvolvimento portuário é o investimento nos portos. Para aumentar as suas capacidades e para melhorar as suas acessibilidades. Sobretudo, para assegurar a continuidade do fantástico crescimento de tonelagem que se tem registado nos últimos anos: passámos de 64 milhões de toneladas em 2008 para quase 100 milhões de toneladas em 2018.

 

Neste âmbito, é prioritário garantir a execução da "Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária" – um documento-chave apresentado em 2016 pelo Ministério do Mar, cuja concretização tem vindo a ser feita, embora a um ritmo mais lento do que os portos, o mercado e a economia necessitam.

 

Em concreto, é preciso avançar, entre outros, com o alargamento da PSA Sines, com o novo terminal Vasco da Gama, com as dragagens do porto de Setúbal, a modernização da LISCONT em Lisboa e o Terminal -14 de Leixões.

 

Não há dúvida de que o mar é um dos nossos maiores recursos. Importa recordar que é o mar que nos liga. Importa potenciar o transporte marítimo para tirar o máximo proveito do "oceano de oportunidades" que nele existem.

 

Lembrando sempre que os portos são um dos protagonistas mais importantes desta história, desafio todos a celebrarem no próximo sábado, 16 de novembro, o Dia Nacional do Mar!

 

 

Rui d’Orey, presidente da AGEPOR (Associação dos Agentes de Navegação de Portugal)

 

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