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Camilo Lourenço camilolourenco@gmail.com 18 de Fevereiro de 2009 às 13:48

Os bancos e a ajuda do Estado

Carlos Santos Ferreira recusou ontem a ideia de o BCP se capitalizar com base no fundo de quatro mil milhões de euros, criado especificamente para este efeito pelo Governo.

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Carlos Santos Ferreira recusou ontem a ideia de o BCP se capitalizar com base no fundo de quatro mil milhões de euros, criado especificamente para este efeito pelo Governo. O presidente do banco disse ainda preferir a emissão de obrigações, preferencialmente sem garantia do Estado.

Sobre o primeiro ponto falaremos noutra ocasião. Quanto ao segundo, vale a pena determo-nos nele. É confortável os bancos financiarem-se com garantia do Estado? É. Têm a certeza (ou quase) de que colocam os títulos que emitem e pagam juros mais baixos. Cerca de um ponto percentual... Mas a garantia, como dizia ontem Santos Ferreira, deve ser um recurso de última instância. Porque a situação dos mercados de capitais pode (ainda) deteriorar-se de tal maneira que os bancos não tenham outra solução senão recorrer ao Estado. E porque, se se financiarem (agora) sem garantia, estão a passar para a Economia duas mensagens: a de que o mercado acredita neles sem a rede de segurança do Estado; e a de que conseguem ganhar dinheiro mesmo com custos mais elevados.

Há um senão que resulta do recurso ao mercado sem mãozinha do Estado: como o custo de "funding" aumenta, as taxas que cobram às empresas e famílias também sobem. Mas têm também outra vantagem: ficam libertos das pressões políticas para financiarem indiscriminadamente (e temerariamente) a Economia. Parece pouco, mas não é, numa altura em que os bancos se querem saudáveis.
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