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Os cafres da Europa

A Moody"s "acusou" ontem a banca espanhola de subestimar o crédito malparado, constituindo provisões que não reflectem as imparidades resultantes da crise (as provisões somam menos de metade dos 108 mil milhões de malparado). Há três semanas...

A Moody's "acusou" ontem a banca espanhola de subestimar o crédito malparado, constituindo provisões que não reflectem as imparidades resultantes da crise (as provisões somam menos de metade dos 108 mil milhões de malparado). Há três semanas tinha sido a vez de alguns bancos portugueses saírem mal no retrato.

As reacções que se seguiram, entre nós, escolheram a via conspirativa: como somos um País pequeno, latino e sem influência, os analistas dizem de nós o que lhes apetece. Injustamente, claro. Já as instituições anglo-saxónicas, mesmo as dos países pequenos, têm tratamento de favor (v.g. a banca irlandesa). A bordoada dada ontem aos bancos espanhóis deita a teoria por terra: afinal a Moody's também se mete com os bancos (latinos) da quinta economia mais forte da União… Há quem insista, mesmo assim, na teoria da "conspiração", alargando a análise: é uma guerra entre latinos e anglo-saxões. Os primeiros são os cafres da Europa, os segundos a elite.

Não parece que esta atitude traga vantagens para ninguém. As agências de rating não são nenhum modelo de virtude e estão a exagerar nas análises (talvez para compensar as falhas dos últimos anos). Mas continuam a ter credibilidade. Se assim é, não é melhor mudarmos a postura, trabalhando arduamente para mostrar, com factos, que não têm razão? É que o mercado não tem memória curta. Se calhar é por isso que BBVA e Santander são, hoje, respeitados pelos anglo-saxónicos. Os tais que, segundo alguns, olham para nós como os cafres da Europa.


camilolourenco@gmail.com

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