Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Fernando Ilharco 23 de Setembro de 2016 às 00:01

Os inimigos do sucesso

Os inimigos, as armadilhas, os adversários do sucesso, são três e podem surgir de formas diversas na vida profissional.

  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

O mais comum e mais óbvio, confirmado vezes sem conta pela investigação, é o adiar, o deixa andar, a falta de rigor, a falta de um sentido de urgência, de determinação e do tipo de trabalho que faz a diferença. Para atingir os objectivos e ter sucesso, o trabalho dedicado é sempre necessário. Mas às vezes não chega. É necessário que o trabalho seja o tipo certo de trabalho; um trabalho focado na melhoria constante, assente da aprendizagem e na ultrapassagem dos erros.

 

O segundo inimigo do sucesso é o insucesso. O que ontem correu mal pode fazer com que o que vamos fazer amanhã corra também mal. É um círculo vicioso. Dois projectos independentes podem ligar-se pelos maus motivos. Algo não correu pelo melhor, sentimo-nos mal, desmotivamo-nos, e atribuímos responsabilidades a outros... não analisamos o que sucedeu, não aprendemos e, claro, não mudamos. Dali a tempos, o insucesso de ontem vai ser um importante desmotivador, pode bem armadilhar o sucesso de amanhã.

 

Mas nunca para ninguém tudo correu bem. O insucesso que deita abaixo, que faz desistir e não ajuda é um erro. E os erros, a boa visão dos erros, são a aprendizagem. Aliás tantas vezes a aprendizagem é mais eficaz assente precisamente nos erros. As neurociências têm apontado este facto; estando focados em mudar, inovar e aprender, o acontecer dos erros permitem aprender mais do que quando tudo corre bem. O insucesso, por isso, pode ajudar. Ajuda quando nos alerta, quando nos faz recomeçar, mais capazes e mais motivados.

 

Mas o sucesso tem ainda um outro adversário, mais subtil. É o próprio sucesso. Correu bem, atingimos os objectivos, tivemos um desempenho de qualidade e ufff… agora, vamos descansar... Um dos perigos deste cenário é convencermo-nos de que ganhámos porque somos melhores do que os outros, que ganhámos porque temos um especial talento para o assunto e naturalmente aconteceu. Recolhemos os louros e esperamos pelo próximo desafio… Se esta espera for do género "está feito, vai ser sempre andar"… com menos trabalho, menos preparação e menos aprendizagem, o novo projecto vai correr mal. Com a confiança em alta, o que é bom, preparamo-nos menos, o que é mau. Desaceleramos e, conforme à expressão popular, "descansamos à sombra da bananeira"… o insucesso vai acontecer.

 

Sintetizando, tudo pode desajudar: a falta de trabalho e de rigor faz com que corra mal; o insucesso desmotiva-nos e faz-nos desistir, e o sucesso faz-nos descansar. Vai correr mal. Ou tudo pode ajudar: o trabalho, a determinação e a aprendizagem são o dia-a-dia; o insucesso é um desafio e aprendizagem; e o sucesso é apenas uma base para novos objectivos mais ambiciosos. Tudo depende. Tudo depende de si.

 

Professor na Universidade Católica Portuguesa

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Mais lidas
Outras Notícias