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David Bernardo davidbernardo@yahoo.com 28 de Outubro de 2014 às 20:40

Os Jetsons chegaram… "A internet dos objetos"

Estima-se que em 2020 existam 50 mil milhões de objetos ligados à internet. Estes aparelhos irão analisar e comunicar entre si para adaptar o ambiente a cada pessoa, em automático.

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São 6h43 da manhã, tocou o despertador para acordar, não porque o colocou com toda a pontualidade ao minuto, mas porque os sensores do seu colchão indicaram que era o momento em que o seu sono estava mais leve e, como tal, o melhor momento. Pode já sentir o cheiro do café e do pão quente. O seu telemóvel "avisou" a sua nova Bimby para começar a cozer o pão às 6h09 da manhã para que estivesse perfeito quando acordasse. Pode ouvir também a máquina Nespresso a funcionar. A propósito, já está nas últimas cápsulas de café, mas não se preocupe, pois a sua Nespresso já pediu mais, diretamente, através do sítio de "e-commerce" da empresa e chegarão em dois dias. Não estamos a falar nem dos Jetsons nem do Regresso ao Futuro… Bem-vindo à "internet of things" ou numa tradução directa, à "internet dos objetos", uma das grandes tendências atuais que revistas, como Wired e Harvard Business Review, têm dedicado várias capas. 

 

Estima-se que em 2020 existam 50 mil milhões de objetos ligados à internet. Estes aparelhos irão dar informação em continuidade e medir o ambiente em que vivemos. Ao mesmo tempo, cada um destes objetos vai estar ligado à internet e também entre eles. A redução do preço e a dimensão dos processadores irá permitir colocar um "minicomputador" em cada objeto, o que aumenta o número de funções que pode realizar e, ao mesmo tempo, aprender e otimizar as suas funções. O aumento da capacidade de processamento da informação ("big data") atual irá permitir tirar conclusões e fazer ajustes em tempo real de cada um destes aparelhos. Como tal, vamos ter um ambiente que se altera e aprende enquanto vamos interagindo com ele.

 

Para as empresas, este tipo de tecnologia representa uma mudança em vários domínios. Segundo Tom Peters, esta é a primeira revolução da internet que impacta diretamente o produto e vai fazer repensar muitos modelos de negócio. A recolha de informação contínua com os clientes vai gerar relações mais próximas e criar barreiras à mudança para outra marca ou empresa. Ao mesmo tempo, mais detalhe de informação irá dar ao utilizador um maior entendimento sobre a "performance" de cada produto e, como tal, escolher o mais adequado para si. Um fabricante de tacos de golfe poderá desenvolver um novo taco com sensores que estudam as caraterísticas do jogador, ajudando-o a melhorar. Estes sensores vão obrigar muitas empresas, que até agora eram fabricantes, a desenvolver soluções mais integrais que envolvem toda a experiência. Podem desenvolver novos "softwares" de análise, aplicações, etc., o que implica uma maior oportunidade de venda de serviços associados, mas também, uma maior aposta no desenvolvimento tecnológico. Novamente, os programadores e os matemáticos irão ser uma parte essencial das empresas.

 

Ao mesmo tempo que esta tecnologia abre um conjunto de novas possibilidades, existem diversos grandes desafios para a "internet das objetos", como é a questão da segurança. A quantidade de diferentes produtos e a falta de atualizações de segurança em modelos antigos pode deixar aberturas para "hackers". Estas falhas de segurança podem ter consequências ligeiras, mas também de elevado perigo, como seja, deixar o gás aberto num bico de fogão durante a noite, sem chama.

 

O mundo digital e o mundo físico continuam a integrar-se cada vez mais de uma forma orgânica e por isso, há que começar a repensar os modelos de negócio atuais adequando-os a esta nova realidade.

 

Partner litsebusiness.com e professor de e-commerce e marketing digital na Nova SBE

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

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