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Ricardo Domingos rdomingos1@gmail.com 12 de Julho de 2004 às 13:59

Os porquês de Jorge Sampaio

A decisão de Sampaio de não convocar eleições antecipadas já começou a provocar estragos e novos alinhamentos na vida política portuguesa. O primeiro, mais imediato, foi a demissão de Ferro Rodrigues do cargo de secretário-geral do PS.

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A decisão de Sampaio de não convocar eleições antecipadas já começou a provocar estragos e novos alinhamentos na vida política portuguesa.

O primeiro, mais imediato, foi a demissão de Ferro Rodrigues do cargo de secretário-geral do PS.

O segundo foi o facto de Santana Lopes, ao ser convidado a formar Governo, deixar a esquerda mais confiante para uma eventual vitória nas presidenciais.

Era uma decisão ingrata. Sampaio subiu a presidente com o PS e a solução mais fácil, em termos pessoais, era convocar eleições. Não o fez. Mesmo com a deterioração gradual do Governo de Barroso. Mesmo com a fragilidade de uma equipa que continuava refém do PP. E nem as pouco expressivas manifestações populares o demoveram.

A via «mais democrática», ou melhor, mais legitimadora, era a óbvia convocação do sufrágio. Mas nem terá sido tanto a conjuntura de vacas magras, ou a coragem de um Governo em avançar com medidas impopulares – num espírito reformador que, até agora, falha em mostrar resultados práticos – que terão sido as principais razões para tão anti-climática escolha. A primeira de todas era assegurar estabilidade política.

E este «desígnio» não se esgota em manter no poder quem lá está. Vai mais além. Por outras palavras, em caso de eleições, estaria o PS – dois anos depois de o ter renunciado – preparado para reassumir as rédeas do poder, garantindo a tão almejada estabilidade?

Desde que Barroso subiu ao poder, quem se senta na primeira fila da oposição no Parlamento são as figuras que abandonaram as suas responsabilidades. Ferro, Costa, Pina Moura, Oliveira Martins, Sócrates, Elisa Ferreira, et al. E não podiam ser estes a reclamá-lo de novo.

O cerne da questão não é, afinal, o problema de legitimidade governativa? Sem ter feito a renovação em tempo útil, o PS deixou escapar uma oportunidade única para uma maioria. Por falta de comparência. Ferro, finalmente, percebeu isso. Tarde demais.

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