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Francisco Jaime Quesado 28 de Novembro de 2007 às 13:59

Para que é que serve o plano tecnológico?

O Plano Tecnológico cumpre dois anos. Tempo mais do que oportuno para algumas breves reflexões sobre a dimensão de uma abordagem que mais do que nunca hoje deve ser feita sobre os desafios do nosso país num futuro global cada vez mais incerto. Discutir e

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Discutir e avaliar para que é que serve o Plano Tecnológico é de forma clara antecipar com sentido de realismo um conjunto de verdadeiros Planos Operacionais que teremos que ser capazes de fazer para  garantir o papel do nosso país num quadro competitivo complexo mas ao mesmo tempo altamente desafiante. 

A ideia do Plano Tecnológico tem todo o sentido. É fundamental criar uma marca que sinalize as prioridades de um caminho que tem que ser feito.  Mas não podemos ficar por aí.  É preciso consolidar no terreno a mensagem que se quer transmitir. É fundamental conseguir incutir nos cidadãos a convicção assumida e efectivamente sentida de que esta “ideia” tem sentido e está consolidada na agenda diária de cada um de nós. Precisamos que o Plano Tecnológico passe a ser o ponto de partida e de chegada de uma atitude social que os indivíduos em Portugal deverão querer protagonizar para assumir duma vez por todas um Modelo de Desenvolvimento diferente e com razão de ser.

Plano Escola

A Educação tem que se afirmar como o primeiro vector deste Novo Plano que agora se inicia.. Na “Escola Nova” de que o país precisa, tem que se ser capaz de dotar as “novas gerações” com os instrumentos de qualificação estratégica do futuro. Aliar ao domínio por excelência da Tecnologia e das Línguas a Capacidade de com Criatividade e Qualificação conseguir continuar a manter uma “linha comportamental de justiça social e ética moral” , na linha do pensamento de autores consagrados como Karl Poper e Frederick Hayek.

Tem que se ser capaz de, desde o início, incutir nos jovens uma capacidade endógena de “reacção empreendedora” perante os desafios de mudança suscitados pela “sociedade em rede”; os instrumentos de modernidade protagonizados pelas TIC são essenciais para se desenvolverem mecanismos auto-sustentados de adaptação permanente às diferentes solicitações que a globalização das ideias e dos negócios impõe. Esta nova dimensão da educação configura desta forma uma abordagem proactiva da sociedade abordar a sua própria evolução de sustentabilidade estratégica.
 
Plano Empresa

O segundo eixo deste Novo Plano passa pelo papel diferente que às Empresas deve ser consagrasdo. O seu objectivo tem que ser o de induzir de forma efectiva a criação, produção e sobretudo comercialização nos circuitos internacionais de produtos e serviços com “valor” acrescentado susceptíveis de endogeneizar “massa crítica” no país. Só assim a lição de Porter entra em acção. A “internalização” e adopção por parte dos “actores do conhecimento” de práticas sustentadas de racionalização económica, aposta na criatividade produtiva e sustentação duma “plataforma de valor” com elevados graus de permanência é decisiva.

Só assim se pode legitimar uma expectativa positiva mais do que pretendida de sustentabilidade de um modelo de desenvolvimento económico e social orientado para o futuro. Todos aqueles que estão envolvidos num processo sustentado de criação e consolidação de “valor” nas organizações a que pertencem têm que fazer desse desiderato a base motivacional permanente do seu contributo enquanto protagonistas activos num Sistema Nacional de Inovação e Conhecimento que se pretende objecto de um processo de reinvenção permanente.

Plano Território

O terceiro nível de actuação do Novo Plano terá que se central no Território. A “Cooperação” estratégica entre sectores, regiões, áreas de conhecimento, campos de tecnologia, não pode parar. Vivemos a era da Cooperação em Competição e os alicerces da “vantagem competitiva” passam por este caminho. Sob pena de se alienar o “capital intelectual” de construção social de valor de que tanto nos fala Anthony Giddens neste tempo de (re)construção. Na economia global das nações, os “actores do conhecimento” têm que internalizar e desenvolver de forma efectiva práticas de articulação operativa permanente, sob pena de verem desagregada qualquer possibilidade concreta e efectiva de inserção nas redes onde se desenrolam os projectos de cariz estratégico estruturante.

Importa uma “estratégia intelectual” para Portugal. A desertificação do interior, a incapacidade das cidades médias de protagonizarem uma atitude de catalisação de mudança, de fixação  de competências, de atracção de investimento empresarial, são realidades marcantes que confirmam a ausência duma lógica estratégica consistente. Não se pode conceber uma aposta na competitividade estratégica do país sem entender e atender à coesão territorial, sendo por isso decisivo o sentido das efectivas apostas de desenvolvimento regional  de consolidação de “clusters de conhecimento” sustentados.

Plano Estado

No fim e no principio, o Estado. A Reinvenção Estratégica do Estado, enquanto “plataforma de centralidade” onde convergem as dinâmicas de qualificação dos diferentes actores sociais, ganhou hoje um paradigma que não se pode cingir às especificações operativas de mecanismos mais ou menos necessários de Governo Electrónico ou de ajustamentos organizacionais adequados a determinados posicionamentos conjunturais de orgânica  interna. Como muito bem nos elucida Samuel Hungtinton, a propósito do eventual choque de civilizações, o que está em causa é a capacidade endógena do Estado se auto-referenciar como o primeiro antes de mais e último antes de tudo centro de racionalidade  dos processos sustentados de evolução da sociedade civil.

Esta cumplicidade estratégica é essencial para a garantia de padrões coerentes de desenvolvimento e equilibrio social. Nas sábias palavras de Francis Fukuyama, a propósito da Nova América, só assim se garante a verdadeira dimensão  de confiança entre todos os que acreditam no futuro. É neste sentido que a legitimidade de actuação e sustentação estratégica se torna central. Processos de compromisso e convergência entre uma base central forte e pontos de descentralização territorial autónomos e indutores de riqueza e bem-estar social a partir da inovação e conhecimento têm que ter por base uma forte relação de cumplicidade estratégica entre todos os actores do tecido social. Um compromisso sério entre uma capacidade natural de mobilizar e empreender e ao mesmo tempo uma vontade de tornar os processos estáveis nos resultados que potenciam.

O Plano Tecnológico tem que passar a ser o Plano Estratégico  dos Portugueses. São cada vez mais necessários protagonistas operacionais  capazes de induzir dinâmicas de diferenciação qualitativa nos territórios e capazes de conciliar uma necessária boa coordenação das opções centrais com as capacidades de criatividade local. Capazes de dar sentido à “vantagem competitiva” de Portugal, numa sociedade que se pretende em rede. Se assim for, o Plano Tecnológico terá  cumprido a sua missão e valerá a pena continuar a apostar na sua afirmação ao longo do país.

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