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Sérgio Figueiredo 09 de Agosto de 2005 às 13:59

Patriotas e misterios

Miguel Horta e Costa lamentava ontem, em declarações à jornalista Alexandra Machado, editora do Jornal de Negócios, não existir «da parte da nossa comunicação social um sentimento mais patriótico» nesta história do mensalão. A PT pede, portanto, ajuda. E

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A manifestação pública de solidariedade, nem que seja institucional, à administração de uma corporação, das mais emblemáticas do país, que se vê envolvida num esquema de corrupção no Brasil.

O «enxovalho» à PT, até agora, limitou-se a desencadear um silêncio ensurdecedor de quem tinha, em primeira instância, a obrigação de a defender. A começar pelo Governo.

Logo este Governo, logo este ministro, que tem revelado uma interpretação muito pro-activa da «golden share» que o Estado conserva na empresa. Mas não. Instado a fazê-lo, o gabinete de Mário Lino refugia-se, não quer comprometer-se.

É um mistério esta omissão do Ministério. Talvez sem querer, ao apontar para os jornais, é o próprio Horta e Costa quem chama a atenção para a sua cruzada solitária.

O que nos remete para a segunda questão misteriosa sobre o envolvimento da PT no mensalão: os silêncios dos seus proprietários privados.

O BES não fala, porque também está à defesa numa trama que, antes da PT, começou por apanhá-lo a si próprio. Uma história que começou numa versão «non sense», mas levou o seu principal personagem, o sinistro Marcos Valério, ao gabinete de Ricardo Salgado.

E os outros? E esse «enfant terrible» chamado Patrick Monteiro de Barros? Que, por muito menos, já repeliu, com modos menos próprios, os «ataques» dos reguladores à operadora?

E a Telefónica? Que é o maior accionista da PT? E é parceira, fifty-fifty, da maior operação internacional da PT, por acaso no Brasil? Não haverá um único espanhol que conheça Marcos Valério? E porque não se fala noutros casos?

Não é patriotismo, apenas curiosidade: não haverá mais empresas, brasileiras, espanholas, porto-riquenhas, que foram «visitadas» pelo obscuro Valério? E porque está o próprio Congresso brasileiro tão concentrado em Portugal?

Esta questão só não nos conduz ao terceiro mistério porque Luis Nassif, um dos grandes jornalistas brasileiros, já respondia num esclarecedor artigo da Folha de S.Paulo de domingo: «o pior do falso moralismo é a perda de referência com relação ao núcleo do problema: o financiamento de partidos e de campanhas políticas».

O denunciante, o execrável Jefferson, é o primeiro a afirmar que as «operações» com a PT e o BES não se concretizaram. Lá e cá, os deputados preferem fazer comissões de inquérito ao que não existe. É mais prudente que  investigar seriamente a origem dos dinheiros que os financiam.

E porque razão misteriosa os inacessíveis gabinetes de um ministro e dos CEO do BES e da PT se abriram a um insignificante agente de publicidade? Não há mistério. Nem patriotismo. Ele estava obviamente «acreditado». O que, até ver, coloca sob suspeita quem o acreditou. Não quem o recebeu.

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