Paulo Carmona
Paulo Carmona 13 de fevereiro de 2019 às 18:53

Pedro e a extrema-direita

Felizmente para nós, e infelizmente para o Bloco e PCP, a extrema-direita marcial e xenófoba não tem muito espaço e tradição em Portugal.

A FRASE...

 

"No dia em que deixarmos o Estado ser capturado por forças de extrema-direita, a democracia está em perigo."

 

Bloco de Esquerda, Rádio Renascença, 25 de janeiro de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Nos últimos tempos tem existido uma enorme vontade em acreditar e divulgar a existência de uma extrema-direita em Portugal. Desde uns episódios esporádicos, condenáveis, de cargas policiais, a umas atoardas racistas e xenófobas de uns tontos isolados, tudo serve para levantar o medo de que o país pode atacado e dominado por essas forças.

 

Num país que nunca teve uma extrema-direita digna desse nome, nem paradas militaristas, regimes agressivos ou racismo e xenofobia generalizados e assumidos, é difícil acreditar que eventuais declarações ou ações dessa dita extrema-direita tenham eco na população e sejam pouco mais que palermices ou casos de polícia.

 

É, todavia, interessante verificar que os principais instigadores e interessados em identificar fenómenos isolados com o (re)ssurgimento (?) da extrema--direita, sejam os partidos de extrema-esquerda, Bloco e PCP, também eles parceiros e defensores de soluções totalitárias.

 

Percebe-se porquê. Primeiro criar medo é bom para as franjas marginais do regime. O medo é, desde sempre, um grande manipulador. E para partidos de protesto, como o Bloco, tem sempre de existir algo contra quê manifestar e protestar. Se todos fôssemos felizes o Bloco não existiria, tal como não existe nos países escandinavos supostamente os mais felizes do mundo. Assim, cria-se um fantasma, um moinho de vento de concordância com o Bloco nessa farsa quixotesca de salvação do país e dos seus bons costumes. Em segundo lugar, a dita extrema-direita, a surgir, acabará por ser um parceiro de luta da extrema-esquerda portuguesa. Veja-se por exemplo a Itália, um Governo dominado pelo populista de extrema-direita Salvini a apoiar o Camarada Maduro, bloqueando condenações da União Europeia, ou Le Pen a juntar-se à extrema esquerda europeia nos votos e ataques às instituições europeias.

 

Felizmente para nós, e infelizmente para o Bloco e PCP, a extrema-direita marcial e xenófoba não tem muito espaço e tradição em Portugal. No entanto, e se não reformarmos o nosso sistema político, uma partidocracia sem meritocracia, onde a escolha dos deputados e regime de faltas envergonham os eleitores, é possível o aparecimento de partidos populistas de protesto. Se quiserem evitar o populismo ou o papão da extrema-direita têm muito por onde trabalhar…

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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