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Pele e osso

Grouxo Marx dizia, sem se engasgar, que "o segredo do sucesso é a sinceridade.

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Uma vez que consigas simulá-la, o resultado está garantido". É sinceridade que os dirigentes políticos têm de vender aos eleitores para poderem ganhar as eleições. Ou seja, a sinceridade tornou-se também num produto de consumo no sistema democrático. Como é que se pode convencer alguém que há um acordo com o FMI e que talvez ele não seja tão real como isso? Esta campanha eleitoral tem a ver apenas com duas coisas: dinheiro e poder. Dinheiro já houve e agora tivemos de o pedir emprestado. E poder começa a ser uma ficção. Se não gerarmos riqueza nos próximos anos para pagar as dívidas, as patacas deixam de cair da árvore. Essa é a enxaqueca da Grécia e pode vir a ser a nossa. Chegámos a um ponto em que somos uma loja de penhores. Quando assim é deixamos de ser donos da nossa vontade. Vamos vender o que resta do sector público, vamos emagrecer até onde for possível as despesas. Ficaremos de pele e osso. Se não resolvermos o problema desta vez, que teremos para empenhar da próxima vez para garantir um qualquer empréstimo? O sol e as praias? O Governo que sair destas eleições vai ter o mandato popular que o legitima, mas não vai determinar a política a seguir. É assim que se esmaga a democracia e se faz com que ela se torne formal. Uma das coisas que esta crise nos ensina é que o Estado, num futuro próximo, vai ter menos poder de intervenção na sociedade. Mas para que não haja um choque brutal, é preciso que esta ocupe o território que ficará vago. E isso ainda não está a ser discutido por aqui.

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