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Filipe Silva 30 de Julho de 2008 às 14:00

Perspectivas para os investimentos alternativos

Os investimentos alternativos, tais como o imobiliário, "hedge funds", "private equity" e "commodities", têm uma importância cada vez maior nos portefólios das instituições financeiras. Uma das principais razões para tal é a facilidade deste tipo de investimentos em diversificar um portefólio das classes de activos mais tradicionais, tais como acções e obrigações.

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Esta diversificação vem da capacidade dos investimentos alternativos em gerar alpha (ou retorno absoluto), o que resulta num portefólio com retornos mais estáveis ao longo dos ciclos de mercado.

Esta capacidade de gerar retornos descorrelacionados com o mercado é uma das principais razões pelas quais cada vez mais instituições dedicam uma percentagem cada vez maior do seu portefólio a este tipo de investimentos: segundo um estudo elaborado pela JP Morgan em 2007, o portefólio típico de uma instituição financeira europeia é constituído por 9,7% em investimentos imobiliários, 5,1% em "hedge funds", 4,1% em "private equity" e 5,9% em outros investimentos alternativos, tais como "commodities". Assim, em média, a instituição europeia comum tem cerca de um quarto dos seus activos associado a investimentos alternativos.

No que diz respeito à regulação deste tipo de investimentos (e particularmente de hedge funds), há o dilema de se manter (ou não) um maior controlo sobre os riscos tomados por estes fundos. No entanto, tornou-se evidente durante a crise do subprime que, apesar da forte regulação do sector bancário, a exposição e os "writtedowns" dos bancos atingiram proporções épicas, enquanto que os "hedge funds", que têm regulações mais leves, se comportaram bastante melhor.

Mesmo que levemente regulados pelas autoridades, os "hedge funds" são regulados por dois importantes lados: os bancos que permitem aos "hedge funds" alavancar os seus investimentos, e os investidores, que são a razão pela qual os "hedge funds" existem.

Será interessante seguir o crescimento desta indústria, numa altura em que os montantes associados a este tipo de investimentos tem vindo a aumentar, para aferir a sustentabilidade dos gestores em continuarem a gerar alpha para os seus clientes.

Artigo baseado no trabalho de projecto "Alternative Investments Outlook: Europe 2008", Mestrado em Finanças, Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, 2008.

Trabalho elaborado como parte de um estágio na empresa Atrium Investimentos – SFC, SA. e orientado por Pedro Santa-Clara e Nuno Corrêa de Sampaio.

Aluno de Mestrado em Finanças
Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa


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