António Moita
António Moita 21 de julho de 2019 às 16:53

Políticas para as pessoas

Fartos de ver uns a empurrar culpas para os que os antecederam, os eleitores querem soluções para os seus problemas e esperam ver resultados. E nem os problemas nem os resultados são património exclusivo da direita ou da esquerda.

Num tempo em que surgem propostas eleitorais feitas à medida do que os partidos pensam que os eleitores querem ouvir, o que como sabemos muitas vezes não é bem assim, parece que anda cada um a tratar da sua vida querendo aparentar que está verdadeiramente preocupado com a vida dos outros, especialmente com os que mais sofrem. Não quero com isto dizer que não haja quem, de forma genuína, se preocupa com Portugal e com os portugueses. Mas se assim é, a mensagem não tem passado de forma eficaz.

 

A preocupação dos candidatos é a de catalogar imediatamente as soluções que vão sendo propostas. Ou são de direita e visam proteger os interesses dos privados e especuladores, ou são de esquerda e estão à partida condenadas ao insucesso porque tudo o que sai deste lado implica mais despesa e os cofres públicos não irão aguentar. Ora esta conversa já cansa um bocadinho. Vejamos alguns exemplos de temas a que todos estamos atentos.

 

Por mais que nos queiram convencer do contrário, a questão da Saúde não é ideológica. Pelo menos para os utentes dos serviços de saúde. A garantia de acesso universal é hoje aceite por todos os quadrantes políticos. Dizer que a revisão da lei de bases é um momento de extraordinária relevância para a vida dos portugueses é pura falácia. Nada irá mudar por causa desta lei até porque parece que o seu principal objetivo era acabar com o "horrível flagelo" provocado pelos 3 ou 4 hospitais que, sendo públicos, têm gestão privada. O que queremos saber é se temos, e podemos pagar, médicos e enfermeiros competentes e disponíveis em hospitais ou centros de saúde localizados nas proximidades e capazes de prestar serviços de qualidade. Se a sua gestão é pública, privada ou cooperativa é indiferente. Tem é de ser boa.

 

Nos impostos a mesma coisa. Atiram-nos com o eufemismo da "carga fiscal". Isto para não nos dizer aquilo que todos sabemos que irá acontecer. Enquanto não produzirmos mais e não gerarmos mais riqueza para o país não é possível baixar impostos. À exceção dos partidos extremistas, a questão da criação de condições de competitividade da economia, da perceção dos limites a que os contribuintes podem estar sujeitos ou a visão sobre a importância das funções de soberania e respetivos meios para o seu exercício não provoca fraturas entre as principais famílias políticas. Mas nem aí nos querem mostrar que se entendem.

 

Nenhum eleitor quer o impossível. Mas também nenhum cidadão aceita que o Estado seja uma máquina eficaz de extorsão e, ao mesmo tempo, uma estrutura pesada que não pára de aumentar, em que faltem meios no essencial e persista o excesso de burocracias no acessório, que o dinheiro seja canalizado para tapar buracos em instituições financeiras mal geridas em vez de servir para realizar investimento público reprodutivo.

 

Fartos de ver uns a empurrar culpas para os que os antecederam, os eleitores querem soluções para os seus problemas e esperam ver resultados. E nem os problemas nem os resultados são património exclusivo da direita ou da esquerda. Precisamos apenas, com urgência, de políticas para as pessoas.

 

Jurista

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