Jorge Marrão
Jorge Marrão 26 de fevereiro de 2018 às 20:17

Políticos vaidosos

Os líderes Cavaco Silva, Passos Coelho e Rui Rio raramente tiveram a opinião publicada do seu lado, não se promoveram em programas semanais televisivos para ascender ao poder, e dificilmente terão eco favorável no "status quo" mediático.

A FRASE...

 

"Enquanto Presidente não podemos ter o desejo de ser amados, o importante é servir o país e levá-lo para a frente."

 

Cavaco Silva, Expresso, 17 de Fevereiro de 2018

 

A ANÁLISE...

 

A adulação mediática e popular de um político quando no poder - todos se querem aproximar para ter as benesses momentâneas na esperança de que se tornem permanentes - é contrastada com o alargamento das distâncias física e emocional quando o perdem. O anonimato e o desprezo social matam os políticos vaidosos e egocêntricos. Deviam ficar-se pela ambição do serviço cumprido. Criam, promovem e adoram uma "corte" que, mais cedo do que tarde, se apercebe da queda iminente. Esta classe política busca a proximidade com os media, estabelecendo um pacto de conivência que aniquila e desprestigia a ambos a prazo por distorção dos papéis. O escrutínio amolece e o populismo cresce.

 

Os líderes Cavaco Silva, Passos Coelho e Rui Rio raramente tiveram a opinião publicada do seu lado, não se promoveram em programas semanais televisivos para ascender ao poder, e dificilmente terão eco favorável no "status quo" mediático. Divide-os a conceção do PSD, a agenda ideológica e a "praxis" política, mas também a mundividência de cada um. Une-os a têmpera de lutadores solitários. Por terem estado contra o estabelecido numa fase da sua vida política, e que lhes deu a experiência e coragem para lutar por convicções de justeza da sua ação, tornam-se a prazo autistas, e não reconhecem a inutilidade dessa sua coragem solitária. Em nenhum momento os detratores iniciais mudarão de opinião sobre a relevância dos seus mandatos. Resta-lhes a história, meia dúzia de amigos e alguns familiares para os confortar. No caso de Cavaco Silva (como primeiro-ministro) e Passos Coelho, sabíamos que a agenda de adesão e sucesso na Europa e o cumprimento do programa acordado com o Governo do PS da bancarrota os guiaram. Relativamente a Rui Rio o mais urgente é sabermos ao que vai.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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