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Carlos Vieira cfvieira@ensinus.pt 02 de Dezembro de 2013 às 00:01

Por mares já dantes navegados

Na passada semana, tive a honra de presidir à sessão solene de abertura da Bienal de Pintura Mutasa que decorreu no Instituto Superior de Gestão e que teve como curador o Embaixador da República de Moçambique, Jacob Nyambir.

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A exposição foi organizada pelos alunos do Mestrado em Estratégia de Investimento e Internacionalização do ISG que este ano se denominou mais especificamente de Mestrado Luso-Moçambicano, pois integra docentes e alunos do Instituto Superior Mutasa, sito em Manica, Moçambique, numa parceria inovadora. Esta bienal representou um culminar de um sentimento de aproximação entre povos, conjugando as artes com a economia, com a gestão intercultural e com a busca de oportunidades comuns. A presença de uma larga representação de diplomatas e de gestores de empresas demonstrou a energia e a vontade que cada vez atrai mais os povos para a necessária cooperação e a criação sustentada de parcerias.

E é nesse sentido que sinto que está próximo o momento que tenho vindo a defender do imperativo de se criarem condições para uma exportação de serviços de educação e formação e que começa a surgir, não necessariamente pelas melhores razões, pois parece emergir de um desespero económico associado à falta de alunos, quando deveria sempre surgir nos momentos altos de um país que deveria olhar para as oportunidades mais afastadas do seu umbigo. Por melhores ou piores razões, assistimos recentemente a uma pressão pela criação de condições para que as instituições de ensino superior públicas possam acolher alunos estrangeiros, cobrando-lhes (esperando eu, como contribuinte!) o real custo de frequência desses alunos, como já fazem países como a Suécia. Está próxima a publicação do estatuto do aluno estrangeiro. O próprio ministro da Educação e Ciência anunciou recentemente, numa sessão sobre internacionalização no ensino superior, que iriam ser concedidos apoios no próximo Quadro Comunitário para apoiar ações de divulgação do "Study in Portugal" no estrangeiro. A exemplo do que desenvolveu a FLAD, com o apoio de uma dezena de organizações nacionais, com o patrocínio de um pavilhão com esse título na última edição da NAFSA – "Association of International Educators", nos Estados Unidos, mais especificamente em St. Louis, estando previsto que no próximo ano seja também apoiado um pavilhão na edição a decorrer em San Diego.

A minha expetativa é que apesar da normal concorrência entre instituições de ensino superior em termos nacionais, possa existir uma real cooperação para efeitos de divulgação do "Portuguese Way of Study", divulgando-se um país com excelentes infraestruturas educativas, professores e capacidade relacional acima da média a nível internacional. É uma oportunidade para desenvolver aquilo que o Secretário Executivo da CPLP, também presente na sessão de abertura da Bienal Mutasa, referiu no seu discurso: apoiar a criação de mecanismos de mobilidade de docentes e discentes no espaço do ensino superior da CPLP, criando um Erasmus próprio.

E a propósito da internacionalização e do ensejo de desenvolvimento de projetos internacionais, tenho de demonstrar a minha solidariedade face às dificuldades das instituições de ensino superior públicas em desenvolver os seus próprios projetos livres de uma coerção que já não se devia admitir nos tempos modernos. Não questiono nestes tempos duros para todos a redução dos orçamentos, na componente originária no Orçamento de Estado. Mas ver que existem limitações ao tratamento e gestão de receitas próprias e à gestão mais eficiente de recursos é, a meu ver, lamentável. Assim como foi lamentável ter-se forçado um recuo na criação do regime fundacional aprovado para instituições como a Universidade do Porto e o ISCTE. Seria, a meu ver, uma oportunidade de ouro para se criarem condições para um investimento mais sustentado em novos projetos e na concretização de parcerias. Mas independentemente das dificuldades creio ser fundamental seguir-se esse caminho. Os diversos docentes de instituições de ensino superior público e privado que estavam presentes na passada semana no ISG certamente concordarão comigo.

Administrador ISG

Este artigo de opinião foi escrito em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

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