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Joseph Jimenez 26 de Fevereiro de 2014 às 22:44

Por uma África mais rica e mais saudável

Os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) têm sido, desde há muito, o foco dos investidores nos mercados emergentes. Mas as grandes oportunidades de negócio do futuro estão em África, a segunda região com o crescimento mais rápido do mundo. Em cerca de um terço dos 55 países do continente, o crescimento anual do PIB está acima de 6%, e a África Subsaariana cresceu a um ritmo de 5,1% em 2013.

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Os investidores estrangeiros relatam que a rendibilidade do investimento em África é maior do que em qualquer outra região emergente. Em 2040, a população activa, em África, atingirá um total de cerca de 1.100 milhões de pessoas, proporcionando às empresas uma força de trabalho maior do que a da China ou Índia. Além disso, a expansão económica em África não está a ocorrer apenas nos centros urbanos, mas também nas pequenas cidades e aldeias.

 

No entanto, África também enfrenta grandes desafios. Um dos mais preocupantes prende-se com os cuidados de saúde inadequados. A população é assolada por doenças evitáveis ??e tratáveis. A esperança média de vida é 14 anos inferior à média global. Quase um em cada 20 adultos entre os 15 e os 49 anos na África Subsaariana vive com HIV - cerca de seis vezes a média global. A cada minuto, uma criança africana morre de malária.

 

O rápido crescimento económico de África e a urbanização também estão a criar novos desafios sanitários. Prevê-se que as doenças não transmissíveis se convertam na principal causa de morte em 2030. O número de casos de diabetes, por exemplo, deverá quase duplicar nas próximas duas décadas.

 

Se não for tratado, o duplo fardo das doenças transmissíveis e não transmissíveis poderá comprometer o potencial económico de África. Para responder a este desafio, há que prestar atenção a três áreas críticas dos cuidados de saúde: tecnologia, infraestruturas e educação.

 

África tem testemunhado alguns saltos tecnológicos notáveis. Há uma década, a infraestrutura de telecomunicações era praticamente inexistente. Hoje, uma em cada seis pessoas possui um telemóvel, cujos benefícios vão muito além de uma comunicação mais fácil. África foi pioneira na utilização de serviços bancários móveis, com marcas locais, como o M-Pesa e corporações globais, como o Citi, a demonstrar como as novas tecnologias podem oferecer serviços financeiros vitais para a população sem acesso a bancos. O dinheiro móvel e carteiras digitais acessíveis ??por telemóvel eliminam a necessidade de dinheiro físico em áreas rurais, onde os serviços financeiros são limitados e onde o transporte de grandes quantidades de dinheiro é arriscado.

 

A Novartis juntou-se a esta revolução das comunicações móveis e está a trabalhar com cinco governos africanos e parceiros do sector privado para melhorar a distribuição de medicamentos e monitorizar o fornecimento de medicamentos para a malária em áreas rurais, através de mensagens de texto e mapeamento electrónico. Anteriormente, os pacientes faziam longas viagens até aos postos de saúde e descobriam que os medicamentos que precisavam já estavam esgotados. Agora, o projecto “SMS for life” ajuda a redistribuir rapidamente os medicamentos vitais para onde são mais necessários.

 

Um segundo aspecto crucial para a melhoria da saúde em África é a infraestrutura. Boas linhas ferroviárias, estradas e portos permitem que os produtos e serviços sejam amplamente distribuídos a um custo menor e beneficiam as economias de escala. Este é um componente essencial do desenvolvimento económico de qualquer país. E em nenhum outro sector os benefícios são mais evidentes do que na prestação de cuidados de saúde.

 

Felizmente, já há várias empresas a responder ao desafio. A Coca-Cola, por exemplo, está a contribuir com a sua experiência em cadeias de distribuição para mapear as unidades de saúde e implementar software de gestão de estoques para a distribuição de mosquiteiros, anticoncepcionais, medicamentos para a SIDA e vacinas para aldeias remotas. Ao mesmo tempo, a Novartis está a levar a cabo um projecto-piloto baseado na ideia de "empreendimento social" para que os habitantes desfavorecidos de aldeias remotas possam aceder a medicamentos essenciais fraccionados em doses pequenas e económicas.

 

Por último, a educação é uma das ferramentas mais poderosas para reduzir a pobreza e gerar um crescimento económico sustentável e inclusivo. Mas a falta de recursos e professores faz com que muitas crianças estejam a ser excluídas do sistema educativo. Contudo, as parcerias público-privadas estão a ajudar a alterar essa realidade. Por exemplo, a empresa Cisco colabora com diversas ONG (Organização Não Governamental) para conectar comunidades e ajudar os alunos a desenvolver conhecimentos em tecnologia da informação e comunicações.

 

Uma educação deficiente também afecta a saúde. Embora África represente um sétimo da população mundial, concentra um quarto da carga global de doenças e conta com apenas 2% dos médicos de todo o mundo. Sem surpresa, muitos dos problemas de saúde resultam da ignorância sobre doenças e medidas de higiene básicas.

 

Nesse sentido, a Novartis formou uma parceria com o Instituto Terra, as Nações Unidas e grupos do sector privado para treinar e colocar no terreno um milhão de profissionais de saúde na África Subsaariana, até 2015, para prestar tratamentos básicos e cuidados preventivos, e para rastrear surtos de doenças. A ideia é que a população local aprenda a ajudar as suas comunidades, em vez de depender de ajuda externa, e assim livrarem-se da pobreza de forma permanente.

 

África está a mostrar cada vez mais sinais promissores, mas as soluções inovadoras para melhorar a saúde do seu povo são essenciais para que o continente se aproxime do seu potencial. Isso vai exigir mais do que filantropia: exige novos modelos comerciais que resolvam problemas de saúde, ajudem a economia a crescer e beneficiem aqueles que investem no futuro de África.

 

Joseph Jimenez é CEO da Novartis

 

Copyright: Project Syndicate, 2014.
www.project-syndicate.org

Tradução: Rita Faria

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