Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 07 de março de 2018 às 16:48

Portugal numa Europa em desaceleração

De acordo com a edição de Março do FocusEconomics Consensus Forecast - Euro Area o ritmo de crescimento dos países centrais do euro está em desaceleração desde dezembro último.

Assim, embora se mantenha uma trajetória crescente da economia, a taxa de crescimento contraiu-se ligeiramente.

 

A travagem faz-se sentir exatamente nas economias centrais, na Alemanha e em França. Normalmente estes movimentos de arranque/travagem chegam às economias periféricas com alguns meses de atraso.

 

Se bem que a travagem seja ligeira e que possa ser revertida, é importante que as autoridades e os agentes económicos estejam atentos a esses desenvolvimentos.

 

A situação é particularmente preocupante na medida em que Portugal mantém graves desequilíbrios económicos que podem fazer perigar a nossa recuperação.

 

E recuperação é ainda a palavra-chave na medida em que volvidos 10 anos do início da crise o PIB português ainda não voltou ao nível que tinha naquele ano fatídico de 2008, em que a especulação financeiro-imobiliária norte-americana do "subprime" lançou o mundo numa crise financeira de grandes proporções.

 

Em Portugal, três desequilíbrios são particularmente perigosos e exigem respostas mais expeditas:

i) O mercado interno exíguo deve ser alargado através da reposição de rendimentos das classes populares, da elevação do salário mínimo e das pensões de reforma;

ii) O desemprego elevado deve ser reduzido com investimento público, retoma do crédito às pequenas e médias empresas, lançamento de programa de recuperação de infraestruturas básicas como escolas e hospitais;

iii) E a bolha imobiliária persistente, bem visível no número elevado de casas vazias e no disparo dos preços do metro quadrado urbano ao mesmo tempo que uma fatia significativa da população, pobre e jovem, não tem acesso à habitação, deve ser eliminada com construção municipal lançada no mercado a preços controlados e com impostos mais elevados sobre casas desabitadas.

 

É nos tempos de crescimento, como o que passamos neste momento, que se devem preparar embates futuros. Se não agirmos com determinação, a próxima crise pode significar retrocessos económicos e políticos ainda maiores.

 

Economista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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