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Opinião
Álvaro Nascimento 18 de Junho de 2018 às 21:10

Portugal: um bom país para trabalhar? 

A aptidão da mão de obra não é um tema exclusivo de educação - do qual a escola é responsável em primeira instância. É, também, um tema de formação de empresa - o qual reflecte a ambição e a excelência do tecido produtivo.

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A FRASE...

 

"A grande batalha de Portugal é o emprego de qualidade."

 

António Costa, Dinheiro Vivo, 12 de Junho de 2018

 

A ANÁLISE...

 

O primeiro-ministro afirma que o país necessita de criar mais empregos tecnológicos, ao mesmo tempo que os empresários se queixam da falta de mão de obra qualificada e acusam os sucessivos governos de não desenvolver percursos escolares compatíveis com as tendências emergentes. O desacerto entre oferta e procura é perturbador da competitividade "made in Portugal".

 

Como que posicionados em lados opostos num tabuleiro de xadrez, cada um dos actores defende o seu "rei", num exercício cínico que ignora as questões realmente relevantes: "Qual o papel de cada um - Estado e empresas - na educação?"

 

Em Portugal, sempre nos demos mal com a responsabilidade ou, usando de um anglicismo demonstrativo de elevação intelectual, a "accountability". Preferimos a via do "capital de queixa", esgrimindo argumentos que nada mais procuram do que a obtenção de ressarcimentos e compensações. É assim tanto na esfera pública como na privada!

 

Sendo verdade que, por culpa do Governo, o sistema educativo é disfuncional na organização e nos incentivos, as empresas não podem escusar-se à sua função social e exigir um Estado todo-poderoso, capaz de antecipar e assegurar as competências profissionais necessárias a todo e qualquer momento.

 

Esquecem as empresas portuguesas que, por natureza, elas são as primeiras a sentir as tendências e as necessidades latentes? Segundo, que o investimento que fazem no desenvolvimento dos seus colaboradores é, em média, dos mais baixos da União Europeia? Terceiro, que os jovens fazem escolhas guiadas pelas expectativas de desenvolvimento profissional que se lhes oferecem? E, quinto e fatal, que os melhores que emigram o fazem porque o reconhecimento da valia da sua formação e as oportunidades de carreira são muito promissoras no estrangeiro?

 

A aptidão da mão de obra não é um tema exclusivo de educação - do qual a escola é responsável em primeira instância. É, também, um tema de formação de empresa - o qual reflecte a ambição e a excelência do tecido produtivo. Pedir a cada um que assuma a sua responsabilidade neste desígnio é o primeiro passo!

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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