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Francisco Jaime Quesado 13 de Março de 2008 às 13:59

Portugal (ainda) não é plano

As primeiras conclusões associadas à implementação do Projecto “Cidades e Regiões Digitais”, a decorrer um pouco por todo o país, envolvendo “redes integradas de cooperação territorial” (Municípios, Universidades, Centros I&D, Empresas, Sociedade Civil),

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Um Novo Paradigma

Numa Europa das Cidades e Regiões, onde a aposta na inovação e conhecimento se configura como a grande plataforma de aumento da competitividade à escala global, os números sobre a coesão territorial e social traduzem uma evolução completamente distinta do paradigma desejado. A excessiva concentração de activos empresariais e de talentos nas grandes metrópoles, como é o caso da Grande Lisboa, uma aterradora desertificação das zonas mais interiores, na maioria dos casos divergentes nos indicadores acumulados de capital social básico, suscitam muitas questões quanto à verdadeira dimensão estruturante de muitas das apostas feitas em matéria de investimentos destinados a corrigir esta “dualidade” de desenvolvimento do país ao longo dos últimos anos.

Apesar da relativa reduzida dimensão do país, não restam dúvidas de que a aposta numa política integrada e sistemática de Cidades Médias, tendo por base o paradigma da inovação e do conhecimento, com conciliação operativa entre a fixação de estruturas empresariais criadoras de riqueza e talentos humanos indutores de criatividade, é o único caminho possível para controlar este fenómeno da Metropolização da capital que parece não ter fim. O papel das Universidades e Institutos Politécnicos que nos últimos 20 anos foram responsáveis pela animação de uma importante parte das cidades do interior, com o aumento da população permanente e a aposta em novos factores de afirmação local, está esgotado.

É por isso fundamental que a aposta concreta em projectos de fixação de riqueza e talentos nas cidades médias portuguesas tenha resultado. É um objectivo que não se concretiza meramente por decreto. É fundamental que a sociedade civil agarre de forma convicta este desígnio e faça da criação destas “Novas Plataformas de Competitividade” a verdadeira aposta estratégica colectiva para os próximos anos. O aumento dos fluxos migratórios do interior para as grandes cidades, por um lado, e para o estrangeiro, por outro, envolvendo tanto talentos como segmentos indiferenciados da população afectados pela onda crescente de desemprego, tem que ter uma resposta cabal. Só assim se conseguirá evitar que Portugal se torne um país “dual”, incapaz de consolidar uma coesão territorial e social essencial na estratégica de afirmação colectiva como um país desenvolvido no novo mundo global.

As Novas Bandeiras

Desta forma, o compromisso entre aposta, através da Ciência, Inovação e Tecnologia, em Competitividade Estruturante na Criação de Valor Empresarial, e atenção especial à Coesão Social, do ponto de vista de equidade e justiça, é o grande desafio a não perder. A Sociedade do Conhecimento tem nesta matéria um papel muito especial a desempenhar e numa época onde se assiste à crescente Metropolização do país em torno do Porto e Lisboa, a aposta em projectos de coesão territorial como as “Cidades e Regiões Digitais” pode fazer a diferença, com os seguintes elementos de distinção:

- Identidade - No quadro da evolução global de Habermas há cada vez mais espaço para a identidade dos territórios e das organizações. A força estratégica da História e de “marcas centrais” como os Oceanos para a marketização internacional do país é um activo consolidado e através da viagem em algumas “regiões digitais” (caso da Algarve) isso aparece-nos reforçado. Trata-se de fazer da Identidade um Factor de Diferenciação Qualitativa Estratégica numa Rede Global que valoriza cada vez mais estes Novos Activos.

- Integração – Portugal tem que passar a integrar efectivamente as Redes Internacionais de Excelência e Competitividade. Só sobrevive ao Desafio Global quem souber consolidar mecanismos de sustentabilidade estratégica de valor e aqui os Actores do Conhecimento no nosso território têm que apresentar dinâmicas de posicionamento. Também nesta matéria ao longo do Mapa as Cidades e Regiões Digitais têm sido visíveis, de forma concreta, vontades de afirmação (casos das TIC em Aveiro e Braga e dos Moldes na Marinha Grande) que para além do efeito directo regional acabam por alavancar outras dinâmicas em rede.

 - Informação – Estar em Rede é dominar o paradigma da Informação. Na Sociedade Aberta do Conhecimento, o jogo da Informação é central na consolidação de plataformas de competitividade e na melhoria dos padrões de coesão social; desta forma, ao longo das Cidades e Regiões Digitais de Portugal a lógica integrada de Rede permite reforçar níveis de acessibilidade, diminuir o “digital divide”, qualificar segmentos carenciados e socialmente desintegrados, dar oportunidade aos desfavorecidos. Nos projectos do interior, como é o caso do Trás-os-Montes Digital , a sociedade do conhecimento desempenha um papel central de colocar os actores da região “em rede” com os seus interfaces mais directos.

- Investimento - O Investimento é a porta do futuro. Não o investimento a qualquer preço. O Investimento no conhecimento, nas pessoas, na diferença. Um acto de qualificação positiva, mas de clara universalização. É essa a mensagem da aposta no terreno. Quando se consolida o trabalho das Cidades e Regiões Digitais, envolvendo tudo e todos, está-se claramente a fazer Investimento no futuro do país. A fazer das pessoas verdadeiros actores do conhecimento capazes de agarrar o complexo desafio das Redes do Futuro.

- Inovação – Projectar o futuro é um acto de Inovação. Construir Plataformas de Excelência e Competitividade ao longo do país é dar um sinal positivo em Portugal 2005. Não a qualquer preço. Com as pessoas. Para as pessoas. A competitividade não pode ser construída a qualquer preço. Te que saber consolidar níveis efectivos de participação, cooperação, coesão social. Só assim faz sentido. Por isso, as “Cidades e Regiões Digitais” são uma “estrada de inovação” onde o dia-a-dia das pessoas é a base da construção duma Rede de Sucesso.

Portugal (ainda) não é Plano. Talvez ainda haja uma última Oportunidade. É esse o nosso desafio colectivo.

 

Cidades e Regiões Digitais – Diagnóstico de um Projecto para o Território

FORÇAS

FRAQUEZAS

·         A colocação da problemática da sociedade do conhecimento na agenda política local/regional.

·         O esforço de infra-estruturação dos territórios.

·         A significativa cobertura das regiões com postos públicos que permitem o acesso físico às TIC.

·         O mapeamento de recursos institucionais existentes e os passos conducentes ao fomento do diálogo inter-actores locais e o maior conhecimento mútuo.

·         A emergência de lideranças com estratégia e capacidade de arrastamento.

·         Projectos de CRD e sub-projectos passíveis de transferibilidade e de processos de aprendizagem social noutras regiões.

·         Os ganhos de escala conseguidos com a nova geração de projectos que passaram maioritariamente a ser de abrangência regional.

·         Os avanços conseguidos nalguns segmentos do governo electrónico.

·         A modernização tecnológica das autarquias.

·         A indução da procura de competências especializadas na área das TIC por parte das Câmaras Municipais.

·         O défice de conhecimento teórico sobre a sociedade do conhecimento enquadrador da acção.

·         A debilidade dos diagnósticos e a falta de planos estratégicos de intervenção.

·         As abordagens redutoramente tecnocêntricas e o excessivo auto-centramento dos projectos

·         A escassez de uma cultura de avaliação nas regiões.

·         O défice de cultura relacional e de criação de dinâmicas colectivas de aprendizagem

·         A dificuldade de passagem de um paradigma de egovernment para um de egovernance.

·         A escassez de projectos que atenuem ou contribuam para não aprofundar formas de info-exclusão pós acesso físico às TIC.

·         A fraca inclusão nos projectos de actores das esfera empresarial, científica e socio-cultural.

·         A inexpressiva orientação dos projectos para a esfera empresarial.

·         O défice em matéria de formação de recursos humanos especializados.

·         O reduzido impacto em termos do emprego directo e indirecto gerado.

·         A dificuldade encontrada em garantir a sustentabilidade de diversos projectos.

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