Jorge Marrão
Jorge Marrão 30 de janeiro de 2019 às 19:35

Primitivismo

Já não se aguenta tanto futebol, tantos especialistas de direito penal, de incêndios, de casos hospitalares e de fenómenos da natureza ou de corrupção, bem como especialistas de falhas de Estado e ou de mercado.

A FRASE...

 

"Para a União Europeia, não há nada mais a negociar sobre o "Brexit"."

 

Maria João Guimarães, Publico, 30 de janeiro de 2019

 

A ANÁLISE...

 

A seu tempo a dupla Tsipras/Varoufakis, então idolatrada pela extrema esquerda trotskista purificadora da alma humana, e pelos diferentes socialismos da engenharia social, apontava o dedo à Europa e suas instituições pelas dores infligidas pela cura oferecida. Esta escola grega criou discípulos nas ilhas britânicas e no continente. A Europa é hoje um aglomerado de eleitorados enraivecidos e indiferentes ao projeto europeu, e divididos quanto às soluções.

 

Unem-se ao redor de alguém que apresente uma solução "podemos" simples e "en marche" e ou em "exit". Os demónios que fizeram nascer a Europa como projeto de paz - que é sempre de abertura, liberdade e integração - parecem agora estar a acordar: os muros das fronteiras das soberanias estão no gabinete do projetista. Renascem com os nacionalismos as doutrinas primitivistas das sociedades.

 

Produzem-se novas fés e novas inquisições com linguagem fundamentalista e persecutória. Os media tradicionais não denunciaram a tempo os riscos das democracias liberais com as suas apostas partidárias ancoradas em dívida e na extração fiscal. Em Portugal, a geração pós 25 de Abril de líderes portugueses, com memória de pobreza, trilhava o caminho da social democracia permanente, que se revelou inviável pelo modelo económico e inverno demográfico.

 

Os cidadãos debatem "fake news" e agendas extremistas nas redes sociais; os media a verdade e os embustes do "mainstream" que ninguém quer ouvir. A vida é circo, desgraça e perfídia humana, mas já não se aguenta tanto futebol, tantos especialistas de direito penal, de incêndios, de casos hospitalares e de fenómenos da natureza ou de corrupção, bem como especialistas de falhas de Estado e ou de mercado. Procura-se urgentemente quem dê ordem à desordem. Oxalá apareça um democrata não primitivo.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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