Nuno Carvalho
Nuno Carvalho 28 de julho de 2011 às 11:10

Qual a despesa mínima de uma empresa

Pense primeiro em facturar, antes de se meter em despesas. Cada vez mais há que pensar assim, não só para aqueles que querem iniciar a actividade, como para quem quer fazê-la crescer.
Como já é do nosso conhecimento, quando queremos abrir um negócio, temos de ter uma entidade legalmente constituída, que nos permita emitir facturas a clientes. Existem muitas formas de podermos facturar, sendo uma delas o simples recibo verde, mas quando se trata de um negócio em que o recibo verde não é o mais adequado, temos de pensar em constituir uma empresa, que no início e para simplificar, aconselho que seja uma sociedade por quotas, de responsabilidade limitada, vulgarmente conhecida por "nome da empresa, Lda".

Mas constituir uma sociedade, obriga a despesas que de início são as referentes à própria constituição da sociedade, mas que depois obedecem a uma manutenção continua que exige um capital constante.

Se fizermos as contas, e para manter o mínimo de actividade, gastamos pelo menos o valor a pagar a um contabilista, impostos mínimos obrigatórios, deslocações, chamadas telefónicas e impressões de documentos, ou seja, cerca de 5.000€ por ano.

Este valor é importante e muitas vezes esquecido na euforia de abrir uma empresa. Constituir uma sociedade é como comprar um veículo. Não temos apenas de considerar o custo inicial de aquisição, mas também o valor da sua manutenção. Se não o mantemos ele acabará por parar.

A manutenção é mais ou menos dispendiosa e exigente de acordo com o uso que lhe damos ao veículo. O mesmo acontece com as sociedades. Quanto mais actividade gerarmos na sociedade, maior será o valor da sua manutenção, ou seja, maior será o valor da contabilidade, impostos e outros encargos.

Concluindo, devemos acautelar o valor de arranque e manutenção. Não deve considerar apenas os custos de constituição, mas sim a despesa mínima que a empresa e a actividade irão gerar, mesmo sem venda alguma. Essa despesa pode ser suficiente para comprometer a sua sustentabilidade caso o negócio não progrida.

Se não tem aproximadamente 5.000€ para garantir as despesas mínimas anuais da sociedade e actividade, deve então reequacionar a constituição da empresa. Não seja demasiado optimista pensando que vai conseguir alcançar esse valor em lucro neto durante o 1º ano, porque pode não vir a consegui-lo. Se é uma empresa que vende produtos, terá de facturar 33.333€ no primeiro ano apenas para equilibrar os custos mínimos de manutenção da actividade (considerou-se uma margem média de 15% para produtos). Como vê não é assim tão pouco. Necessita dessa facturação apenas para cobrir os custos mínimos, sem considerar um ordenado para si, ou mesmo um pequeno escritório.

No caso de prestar serviços, o cenário pode melhorar porque por norma os mesmos alcançam margens superiores, podendo chegar a um 30% de margem média, ou mais, dependendo do tipo de serviço a prestar. Por vezes pode ser mesmo 100%, quando se trata apenas do seu esforço e tempo. Para este ultimo caso apenas necessitava de facturar 5.000€ no primeiro ano, o que tornaria a missão menos impossível, mas atenção que contínua sem ordenado. Se pretende receber um ordenado por mais pequeno que seja, como por exemplo cerca de 1.100€ líquidos mês, já está a sobrecarregar a empresa em mais 23.000€ ano, ou seja que para o caso da prestação de serviços e para uma margem de 100% estaríamos a falar de 28.000€ ano de facturação. No caso dos produtos voltamos a dificultar a operação uma vez que as vendas teriam de subir de 33.333€ para 186.666€, logo no primeiro ano.

Deverá por isso fazer algumas contas antes de iniciar o seu negócio e ver se tem o capital necessário não só para a abertura da sociedade, mas também para cobrir o mínimo de manutenção exigida pela mesma. Dependendo do caso (serviços ou produtos) será mais ou menos fácil aguentar a sociedade num primeiro ano.

Como conselho posso deixar o que aprendi com a minha experiência. Se fosse hoje, não constituía uma sociedade sem primeiro ter um ou dois clientes que me sustentassem o valor mínimo de manutenção da sociedade, para não dificultar a recuperação das perdas. Pense primeiro em facturar, antes de se meter em despesas. Cada vez mais temos de pensar assim, não só para aqueles que querem iniciar a sua actividade, como para aqueles que querem fazer cresce-la, e mais nos tempos que correm.

Se poder recorra inicialmente à empresa de um familiar ou amigo, para poder emitir facturas, e assim poder testar o seu negócio, e só depois constitua a sua empresa. Pode emitir facturas com qualquer empresa onde o CAE corresponda à sua actividade (ou adaptar, através de um segundo CAE) e divulgar mesmo assim a sua marca (a imagem que pretende passar ao mercado). Para tal basta definir a marca e desenhar um logótipo que a represente. Deverá evidenciar a marca na factura e não o nome da empresa, para que mais tarde possa manter a marca/imagem que construiu, numa empresa a constituir.


DICAS

1. Consiga um primeiro cliente mesmo antes de constituir a sociedade.
2. Faça as contas aos custos mínimos anuais, para saber qual a facturação mínima no primeiro ano. Pode vir a surpreender-se.



Envie para o "e-mail" jng@negocios.pt todas as suas questões, dúvidas ou experiências sobre "Qual a despesa mínima de uma empresa"

*Fundador e líder executivo da Zonadvanced - Grupo First


Marketing Automation certified by E-GOI