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Eduardo Moura emoura@mediafin.pt 08 de Setembro de 2005 às 13:59

Qual é o melhor do Mundo?

É extraordinário como Portugal é, entre todos os países, dos mais parecidos com os EUA. Segundo os dados ontem revelados pelo relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Humano, para a bateria de indicadores analisados, Portugal poderia ser consider

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E no entanto, na hierarquia geral dos resultados, os EUA estão em 10º lugar e Portugal obtém a 27ª posição.

Desde logo salta à vista a semelhança na distribuição do rendimento. A relação entre ricos e pobres é a mesma, os 10% mais ricos detêm a mesma fatia do produto, os 20% mais ricos também. E o mesmo se passa com as percentagens dos mais pobres. Os dois índices de Gini são muito próximos e só encontram paralelo em países como Moçambique, Guiné, Mauritânia, Camboja, Ghana ou Tunísia.

Portugal e os EUA também estão irmanados em indicadores com os da esperança de vida e nível educacional, embora estejam muito afastados no número de médicos por habitante e nas despesas de saúde per capita. Os EUA têm mais médicos e gastam mais em saúde, embora a despesa pública em saúde seja igual, mas têm mais mortalidade infantil e mais mortalidade maternal. O governo dos EUA gasta a mesma percentagem do PIB em educação, mas gasta mais no ensino superior e menos no ensino secundário.

Quando se chega aos indicadores de natureza produtiva é que as divergências começam a surgir.

Em relação à tecnologia, a diferença mais notável entre os dois países, não estando ao nível do consumo, está na percentagem de população dedicada à investigação, na despesa em investigação e desenvolvimento, no fluxo de registos de patentes e respectivas receitas. Neste domínio, não é Portugal que se afasta do lugar que deveria ocupar mas sim os EUA que galopam no «ranking» mundial para se situarem em quarto lugar.

Os EUA também galopam de posições no rendimento per capita, que é o indicador mais universalmente usado para fazer comparações internacionais. Aqui os EUA estão em quarto lugar, praticamente com os mesmos valores da Noruega e da Irlanda mas muito abaixo do Luxemburgo. Portugal, neste indicador, baixa para a 29ª posição, porque é ultrapassado pela Guiné Equatorial e pelo Chipre.

O facto da Guiné Equatorial subir da 121ª posição para ultrapassar Portugal deve fazer-nos pensar duas vezes sobre o valor das comparações assentes no PIB. E o facto de os EUA baixarem da 4ª posição, medida pelo PIB, para a 10ª posição, quando indicadores de natureza mais social são introduzidos, reforça a prudência com que os «rankings» internacionais na base do PIB devem ser interiorizados.

De facto, o Luxemburgo apresenta o mais elevado rendimento per capita do mundo à custa de uma falsidade estatística. Este país recebe todos os dias milhares de trabalhadores estrangeiros, que não entram nas estatísticas mas que fazem crescer o PIB. Tal como a Guiné Equatorial, ressalvadas as distâncias, também a Noruega disparou no rendimento per capita à custa do petróleo. E a própria Irlanda, país que faz o milagre de exportar mais do que o que consegue produzir, viu o seu PIB crescer nos últimos anos. Porquê? Fundamentalmente porque as empresas de «software» norte-americanas transformaram a Irlanda na central de distribuição europeia à custa do diferencial das taxas aduaneiras e de impostos sobre os lucros.

Deste modo, fica a pergunta: qual é o melhor país do Mundo?

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