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Qualquer dia nascemos reformados

A sociedade portuguesa está tão habituada à "mão providencial" que já nem se dá conta dos absurdos. Vem isto a propósito da ideia de obrigar o Governo a divulgar a lista dos cursos superiores com menos saídas profissionais (que produzem mais desemprego...

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À primeira vista, a ideia é excelente: o Estado explica aos pais dos jovens pré-uni-versitários que, se insistirem em mandar os filhos para um desses cursos-que-ninguém-sabe-para-o-que-servem (a não ser para obter um canudo), correm o risco de os aturar em casa até aos 20 e tal anos.

Mas qual a utilidade de envolver o Estado nestas coisas? É assim tão difícil saber quais as profissões mais procuradas? O mercado providencia, melhor que ninguém, essa informação: volta e meia as listas aparecem, às vezes com direito a manchete, na comunicação social... Se o Estado quer ter aqui alguma utilidade, então acabe com a catrefada de cursos que só foram criados para satisfazer negócios privados: a sua intervenção tem de ser a montante, onde mata o problema, não a jusante, onde apenas remedeia.

O pior de tudo é que este providencialismo idiota não tem cor política. Acontece à direita e à esquerda. Ou seja, nenhum dos partidos do "arco governativo" sabe qual o verdadeiro lugar do Estado. Vão ver que qualquer dia já nascemos reformados.

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