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Quando o telefone toca

Um dos maiores divertimentos da época balnear do futebol nacional é a novela "Quando o telefone toca".

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Terminado o espectáculo nos relvados, o nervoso miudinho transfere-se para as notícias de contratações e dispensas de jogadores, que entretêm os adeptos durante um par de meses. O problema é que este jogo, típico de um programa de humor, é levado a sério por dirigentes, empresários e jogadores. Afinal, no meio das insinuações, das verdades que o eram num dia e passam a ser mentira no seguinte, das fontes anónimas que garantem contratações que esfriam dois dias depois e da pretensa cobiça de clubes estrangeiros por jogadores com que os emblemas querem fazer um negócio qualquer ou limpar da folha de salários, há um mundo de mistérios e maravilhas.

O mercado futebolístico português faz-se, geralmente, na praça pública. Especialmente se os clubes em causa são o Benfica ou o Sporting, verdadeiros mãos-largas no que toca a saber-se tudo o que vão comprar ou vender e a dar milhões por jogadores que marcam a diferença, como o sr. Roberto e o sr. Pongolle. Nesse aspecto, o FC Porto sempre geriu de forma mais recatada os negócios: quem não se recorda de dois jogadores que, segundo todas as fontes, tinham jurado amor eterno ao Benfica e cujos negócios estavam presos por detalhes e, depois, rumaram num ápice até ao Dragão, como foi o caso do sr. Falcão e do sr. Álvaro Pereira? Compreende-se que toda esta novela sirva para inflacionar o custo de certos jogadores (e com isso ganha a percentagem dos intermediários) e para colocar no mercado outros que ninguém estava disposto a comprar mas que, no meio do "diz que disse", se tornam de um momento para o outro em craques.

É curioso como a carteira dos principais clubes (todos eles com passivos capazes de corar de vergonha o FMI) continua a parecer recheada para comprar, sempre por muitos milhões, jogadores que muitas vezes acabam emprestados até desaparecerem de circulação. Nalguns casos, os clubes defendem-se dizendo que os jogadores chegaram a "custo zero", uma mentira carinhosa que esconde o chorudo salário do jogador todos os meses e a percentagem do empresário que trouxe, de borla, um craque indispensável. Se formos a olhar para a lista de pagamentos mensais de Benfica, Sporting e FC Porto, vamos deparar-nos com casos horripilantes. E o certo é que, época após época, alguém vai alimentando esta loucura que começa sempre com um telefonema. A informar um jogador que vai para um clube ou para outro. E termina com a apresentação com a camisola do clube de quem se recebe logo um cartão para mostrar que é sócio. Tudo o resto é especulação para aumentar o preço. E ainda falamos nós da especulação nos mercados financeiros...

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